segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

spfilosofa

    




     spfilosofa é um projeto de Filosofia realizado para a Faculdade Cásper Líbero em parceria com  Marcus Vinícius Souza, Maria Aparecida Pereira da Silva e Tamara Monzani. A ideia era produzir conteúdo sobre filosofia na cidade de São Paulo e nosso tema foi: "Metafísica e lógica ou como a ideia é real: Hegel entre nós".

    Agradecimentos especiais a Iolanda Lourenço, que cuidou da arte da capa, e Eduardo Bajzek, cujas ilustrações caíram muito bem no contexto da revista.


PROJETO EDITORIAL
Marcus Vinicius Souza
Maria Aparecida Pereira da Silva
Renan Goulart
Tamara Monzani

ARTE/DIAGRAMAÇÃO
Renan Goulart

CAPA
Iolanda Lourenço

ILUSTRAÇÕES
Eduardo Bajzek

sábado, 7 de novembro de 2009

Guitarras a todo volume


IT MIGHT GET LOUD
Gênero: Documentário musical
Duração: 97 min
Origem: Estados Unidos
Direção: Davis Guggenheim
Ano: 2008

      A guitarra, desde sempre, foi um instrumento que me fascinou. Como podem seis cordas presas em um pedaço de madeira produzir sons tão belos ou raivosos? Eu tinha a necessidade de aprender a fazer aquilo que eu via e escutava. Era como se faltasse algo; poderia ser um jeito de me expressar, já que nunca fui tão adepto das palavras faladas.

     Descobri um pequeno violão velho num armário em casa e pus-me a produzir sons aleatórios. A primeira coisa que consegui tocar foi o riff de Come As You Are, do Nirvana. Mas era pouco! Eu queria ser capaz de produzir sons tão bonitos quanto os solos do Pink Floyd ou tão raivosos quanto os riffs e solos do Led Zeppelin. Um ano depois, comprei minha primeira guitarra: uma stratocaster prata (que me acompanha até hoje) e tudo foi possível.

Esses dias fui assistir A Todo Volume (It Might Get Loud), uma espécie de documentário sobre a paixão pela guitarra. O diretor Davis Guggenheim juntou três ícones de gerações diferentes para se reunir, contar histórias e, claro, tocar guitarra. O resultado foi excelente. Temos um documentário rico para os apaixonados pelo instrumento e pelo trabalho daqueles artistas que marcaram suas épocas. O time é composto por nada menos que Jimmy Page (Led Zeppelin – anos 70), The Edge (U2 – anos 80) e Jack White (White Stripes, Raconteurs – anos 90), que contam como desenvolveram suas técnicas e tocam as músicas uns dos outros, numa descontraída jam.


Jimmy Page dispensa comentários e apresentações. É simplesmente um dos guitarristas mais influenciadores das gerações atuais. É incrível como ele podia/pode fazer coisas tão belas como Since I’ve Been Loving You (minha música preferida do Led Zeppelin) e tão nervosas como Dazed And Confused. Ou épicas como Stairway To Heaven. Em It Might Get Loud, lá está Page todo velhão segurando sua Gibson Les Paul como se o tempo não tivesse passado, produzindo sons arrepiantes. Momentos únicos são vistos, como um vídeo de Page quando adolescente, num programa de televisão tocando com sua banda de skiffle. Na conversa com o apresentador, disse que queria ser biólogo (assista ao vídeo na íntegra aqui). Que bom que ele desistiu dessa idéia. Além disso, podemos conferir sua coleção de vinis e os sons que marcaram sua vida, como Rumble, do Link Wray.

Entretanto, um ponto polêmico do documentário é a escolha de The Edge para o elenco. Muitos, como eu, não o consideram do mesmo nível que os demais. Ele pode ter feito coisas legais e novas com seus efeitos e texturas, mas nada grandioso. Acho que quem realmente influenciou e deixou sua marca para as próximas gerações foi todo o U2. Por outro lado, The Edge toca PARA a banda, o que é um grande ponto a seu favor, visto que muitos guitarristas querem apenas é impressionar outros músicos e fãs com seus malabarismos e solos à velocidade da luz. Seu som realmente se encaixa no contexto da banda e isso não o torna um músico ruim, muito pelo contrário. Mas se é um documentário sobre guitarra... má escolha.


Jack White é um cara estranho e um excelente músico. Chegou a ser considerado o melhor guitarrista da atualidade e conquistou o 17º lugar na lista dos “100 maiores guitarristas de todos os tempos” da revista Rolling Stone. Ele bebe na fonte do blues dos anos 20 e, sem dúvida, é um cara que sempre tem algum trabalho novo para mostrar. Sua participação no filme me fez querer ir atrás de seus álbuns e conhecer sua música. Apesar de já conhecê-lo como membro do White Stripes e do Raconteurs, nunca ouvi com muita atenção o seu trabalho, o qual estou conhecendo aos poucos. Até agora, deu pra perceber que ele é um cara de grande talento, coisa rara atualmente.

Saí do cinema com vontade de pegar minha guitarra, plugar no amplificador, regular uns efeitos e produzir sons malucos. Sempre acontece quando vejo filmes assim ou alguma banda tocando. Ver aqueles caras e ouvir suas histórias me fez querer entrar nas profundezas dos assuntos guitarrísticos e estudar cada vez mais, além de me dedicar mais à composição. It Might Get Loud é um filme imperdível, altamente recomendável para todos – não só para os que curtem o bom rock ‘n roll, mas para todos os apaixonados por música. E, claro, pela guitarra.

TRAILER

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Sexo, Alface e Rock 'n Roll

Trabalho de Antropologia sobre o tema "Tribos Urbanas" realizado em parceria de Marcus Vinícius Souza e Fernando Menezes. Dentre inúmeras opções, escolhemos os Straight-Edge, punks vegetarianos "caretões", como eles mesmos dizem. Faça o download do estudo em PDF (571kb)

Pré-visualização do estudo 

downloadPDF

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

As aparências enganam...

CRÔNICA (Sou péssimo pra dar títulos. Mais um clichê pra coleção)
     Ofélia andava solitária de tudo. Trabalhava como secretária em uma pequena empresa, emprego que odiava; não tinha namorado, mas tinha uns poucos amigos que quase nunca via. E também se achava horrível, apesar de não ser tão feia quanto pensava. 
     Todos os dias ela se olhava no espelho e desejava morrer. Ou então ganhar uma daquelas transformações do programa da Xuxa em que uma mulher feia se tornava “aceitável”. Ou, quem sabe, ter a grande sorte que faltava na vida e ser sorteada para o Dia de Princesa... mas ela era muito “rica” pro quadro do programa do mano Netinho. Na verdade, ela queria mesmo era um namorado. Quando achava um possível parceiro, não investia. Tinha medo da rejeição. Mas o parceiro perfeito (bonito, alto, forte, inteligente e independente) nunca aparecia.
     Ela costumava entrar no trabalho diariamente às 8h30 e, neste dia em especial, estava atrasada. Levantou às 8h, tomou um banho rápido e colocou a roupa de sempre. Acabou com o resto de suco de laranja que havia na geladeira, pegou a bolsa e a chave do carro e saiu com toda pressa. Não iria chegar a tempo e uns poucos e preciosos reais seriam descontados do salário no fim do mês. O chefe era um chato de galocha. 
     Ofélia entrou no seu Voyage 89, deu ré e partiu em toda velocidade. Não teve tempo de se arrumar direito, nem de ler as manchetes do jornal do dia, tomando seu café da manhã, como fazia diariamente. Nem mesmo passou a maquiagem do dia a dia.
     O trânsito fluía bem naquela manhã, por sorte. Ela parou num semáforo e pegou o batom: ia aproveitar aquele tempinho para terminar de se arrumar. Olhou no espelho retrovisor para passar o dito cujo, da cor vermelha, e viu algo que lhe chamou a atenção: um homem moreno e forte, quase bombado, esperava o semáforo abrir no seu Fusca bege, logo atrás dela.
     Ela terminou de passar o batom, o sinal ficou verde e, numa tentativa desesperada, deixou o Fusca passar à sua frente. Ofélia queria que ele a notasse. O cara a ultrapassou sem sequer olhar pro lado. Ela observou o Fusca passando e outra coisa lhe chamou a atenção: estava escrito, em letras garrafais, “PAULÃO” no vidro traseiro do carro. Embaixo, havia um número de telefone. Ela se sentiu tentada a pegar uma caneta na bolsa e anotar aquele número, mas o homem, cujo nome deveria ser Paulão, virou à direita e se distanciou bem antes de Ofélia abrir o porta-luvas à procura de papel e caneta. Um sentimento de tristeza e arrependimento tomou conta dela nesse dia. “Aquele podia ser o homem perfeito que tanto procuro. Não acredito que perdi essa chance”, ficou pensando.
     Uma semana depois, lá estava Ofélia atrasada de novo. Ia chegando ao mesmo semáforo onde encontrara Paulão dias antes, quando ela o avistou. Estava lá, na sua frente: um Fusca bege com o escrito “PAULÃO”. Ela não acreditava: que sorte! Não poderia perder essa oportunidade. Não iria anotar número algum, ia falar logo com o homem. Deu uma buzinada, o que despertou Paulão do devaneio, e parou ao lado. Abriu a janela e gritou: 
     - Oi! O que você faz? Seu telefone é esse aí?
     Paulão olhou para o lado, deu um sorriso, jogou um beijo para Ofélia e disse numa voz afeminada:
     - Serviços gerais! Vou passar na sua frente e você anota o número, tá bom, querida?
     O semáforo abriu e Paulão passou na frente do Voyage de Ofélia, que não anotou coisa alguma. Que azar.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Apocalypse das Trevas Now




Análise de transposição de obras literárias para o cinema. "Coração das Trevas" (Joseph Conrad) X "Apocalypse Now" (Francis Ford Coppola) 
    
     Fazer uma versão fílmica para um livro não é tarefa das mais simples. Há muitos detalhes que devem ser observados, além da necessidade de ser um tanto fiel à obra. Querendo ou não, muitas vezes são os leitores os maiores espectadores da versão cinematográfica. Mas e quando um livro inspira um filme? É o que ocorre em Apocalypse Now, do renomado diretor Francis Ford Coppola, inspirado no livro Coração das Trevas, de Joseph Conrad.
     Há diferenças entre as versões, pois não se trata de uma adaptação. Elas começam com a época e o ambiente em que as histórias se desenrolam. Conrad escreveu sobre uma jornada através de um rio “grande e caudaloso, que lembrava uma serpente desenrolada” no coração da África. Mais exatamente no Congo, o único espaço pintado de amarelo nos mapas do século 19, o que significava serem aquelas terras uma colônia belga, a única do continente, apesar de ele não explicitar.
     Coppola transportou a história dos tempos coloniais para os anos 70, durante a guerra do Vietnã. A expedição narrada no filme ocorre em um rio daquele país e o objetivo é encontrar Kurtz (Marlon Brando), grande coronel do exército americano. Na versão literária, o personagem é um grande chefe de posto de uma empresa mercantil de marfim. Assim como no filme, sempre se referem a ele com respeito e até admiração. O diretor foi brilhante, nesse ponto, ao ser fiel ao livro que o inspirou; fazendo as devidas adaptações. Kurtz enlouquece em meio ao horror em que vive e acaba desertando de suas, criando seu próprio império e comandando seu próprio exército. A sua figura, durante a viagem, é desconhecida do comandante da missão, narrador da história nas duas obras, apesar de serem personagens diferentes.
     Na obra de Conrad, quem busca Kurtz é o experiente navegador Marlow, enquanto no filme, é o capitão Willard (Martin Sheen), que há muito esperava ser convocado para uma missão. Ambos vão conhecendo o homem que procuram, no caminho. Marlow, através de relatos, e Willard, de um dossiê preparado pelo exército americano. O interesse de ambos pela figura do homem que procuram cresce à medida que eles sobem o rio.
    Desde o começo, em ambas as obras, comportamentos e fatos insanos são mostrados constantemente, indicando que o percurso leva os barcos ao centro do horror, à sua raiz, cuja proximidade é evidenciada por cenas cheias de neblina e fumaça. A cada milha navegada, a acusação a Kurtz faz menos sentido para Willard. Ninguém tem mais idéia do porquê daquela guerra. A loucura se apodera do corpo social americano. Assim, é interessante notar a crítica de Coppola à Guerra do Vietnã, desnecessária e brutal, assim como a colonização européia no continente africano, bem retratada no livro de Conrad. A essência está lá: o tratamento desumano dado aos nativos, a selvageria, a insanidade que acomete a todos, “a face mais selvagem do capitalismo”.
     Em certo momento do filme, após um bombardeio, o coronel Kilgore (Robert Duval) e o soldado surfista Lance (Sam Bottons) conversam. Entre observações sobre arrebentações de ondas, o coronel diz adorar o cheiro que de Napalm pela manhã. (Veja a cena aqui) Napalm é um explosivo que foi muito usado nesta guerra. Este mesmo bombardeio é realizado ao som da ópera “Cavalgada das Valquírias”, de Richard Wagner, executada em um alto-falante instalado em um helicóptero.  Bombardeio, aliás, realizado para que o próprio coronel e seus soldados pudessem surfar naquelas águas controladas pelos vietcongues. Este é um exemplo de cena que foi incluída no filme para caracterizar as atrocidades cometidas.

Apocalypse Now - The Ride Of The Valkyries


     O horror exacerbado da película contrasta com a tímida narração de Marlow. Ele é considerado um narrador medíocre, pois o seu relato parece não falar de nada. Ou melhor, parece esconder as atrocidades do sistema colonialista. Contudo, “é difícil conter a suspeita de que Conrad declara o que pensa ou o que quer que se pense que ele pensa” (O Redemunho do Horror, Luiz Costa Lima - cap.3, pág.217), afinal, “a história narrada por Marlow se fundava na experiência do próprio autor”.
     É bem notável a semelhança da estrutura densa e sombria em ambas as obras. Isso fica evidente, no filme, pela fotografia obscura, principalmente quando o coronel Kurtz aparece. Na verdade, o ator Marlon Brando pediu para que, quando aparecesse, fosse na penumbra. Ele estava obeso, na época, e queria esconder isso, o que acabou conferindo um ar misterioso ao personagem.
     A magnífica trilha sonora coroa essa obra de arte do cinema. O filme começa e termina ao som de “The End”, do The Doors. Assim como esta, todas as outras músicas contribuem para que o espectador sinta a emoção da cena, vermelha como as explosões, verde como a densa selva.
     Com uma bela montagem, Apocalypse Now tornou-se um clássico do cinema ao mostrar a desumanidade de uma guerra desnecessária. Coração das Trevas é um livro complexo e que exige muita atenção do leitor, apesar de pequeno. São obras de arte que se complementam e que tratam o tempo todo da brutalidade. Do horror.


Leia o livro aqui.
Veja o trailer original do filme aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Larápio silencioso

     Hora do almoço, milhões de paulistanos se deslocam pela cidade durante a pausa do meio dia. Os ônibus, já lotados normalmente, mais e mais se enchem de gente. É a oportunidade perfeita para a ação de ladrões silenciosos. Quem utiliza habitualmente linhas que percorrem a rua da Consolação e as avenidas Rebouças e Paulista, em São Paulo, provavelmente já viu um sujeito alto, magro, negro e bem vestido. Aliás, dezenas deles. E um desses sujeitos aproveita-se da situação de lotação, além da aparência comum, para praticar pequenos furtos.
     O homem com essas características entra no ônibus, paga os R$2,30 da passagem, passa pela catraca (cuja pintura está gasta) e espera pela melhor oportunidade. Os passageiros se distraem, conversam, ouvem música ou lêem o jornal na esperança de que o próximo ponto chegue logo. Ele olha para todos os lados, como se estivesse procurando algo. Uma mocinha de uns 19 anos conversa com o namorado. Ela é baixa, branca, tem bochechas grandes e usa uma bolsa azul e estampada a tira colo. Seu celular toca. A garota abre a bolsa e deixa-a semiaberta após procurar pelo telefone e atendê-lo. O namorado, baixo e barbudo, presta atenção no trânsito. Eles estão perto da porta à espera do próximo ponto. O homem se aproxima, segurando seu paletó no braço direito, deixando, assim, as mãos livres. Disfarçadamente, ele coloca a mão direita dentro da bolsa da menina à procura de algo valioso fácil de pegar. O namorado percebe e fita-o incrédulo, paralisado, sem ação. A menina continua falando ao celular e nem percebe que acabou de perder uma nota de R$20, que o ladrão acabara de colocar no bolso da sua calça social preta. Ele, ao ver que tinha sido flagrado pelo namorado da moça, o qual ainda fitava-o, arregala os olhos e se faz de inocente. O garoto barbudo, com os olhos fixos no gatuno, chama a menina pelo nome, alertando-a do perigo. O homem fica nervoso e repete algumas vezes numa voz trêmula: “Senhor?”. O ônibus chega à parada Brasil e o casal desce, sem ação alguma. E lá se vai o larápio silencioso e bem vestido pronto para fazer outras vítimas.

sábado, 20 de junho de 2009

Uma manhã no Parque Buenos Aires

Trabalho de Fotojornalismo.

Fotos feitas no Parque Buenos Aires, localizado no bairro Higienópolis, em São Paul0 - SP
MÚSICA: "When I'm Sixty Four" (The Beatles) - Versão: Paulo Sérgio Santos


"The Wall" - Pink Floyd


Capa do disco

Estudo para a disciplina HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA



     Ao falarmos sobre rock progressivo/psicodélico,  não podemos nos esquecer de citar a banda inglesa  Pink Floyd, uma das precursoras do estilo. Fundada    e liderada até 1968 pelo cantor e guitarrista Syd  Barret, a banda é assim chamada devido a admiração  de seu primeiro líder pela arte de Pink Anderson e  Floyd Council, ambos músicos de blues. O  comportamento estranho e imprevisível de Barret, atribuído ao constante uso de LSD, causou o seu afastamento da banda. Para substituí-lo, seus companheiros Roger Waters (baixo), Nick Mason (bateria) e Rick Wright (teclados) chamaram o guitarrista David Gilmour. Com essa mudança, o baixista tornou-se o líder do quarteto. Esta fase foi marcada pelo lançamento de álbuns clássicos, como The Dark Side of The Moon (1973), Wish You Were Here (1975) e The Wall (1979).

     Após tocar em estádios lotados e contribuir para a história da música com obras-primas, Roger Waters começou a se questionar sobre tudo aquilo que tinham conquistado. Na sua visão, as pessoas iam ao show para ver o mito Pink Floyd e não mais para ouvir sua música e o que ela dizia. Em 1977, no Canadá, Waters chegou a cuspir em um fã. Frustrado, ele imaginou um show em que um muro fosse construído, separando a banda da platéia, o que simbolizava que ele fazia parte de um mundo diferente daquele do qual os fãs faziam. Assim, o conceito do The Wall foi elaborado.

     O disco é marcado pelas letras amargas e pela qualidade sonora marcante, cheia de ruídos e detalhes. Começa com uma introdução à atmosfera da história. In The Flesh? é uma espécie de prólogo, o início do show que contará a história de Pink, o personagem principal do disco, que constrói um muro em torno de si para se isolar da sociedade. Não diretamente, a canção, nos segundos finais, revela a morte de seu pai na 2ª Guerra Mundial com o som de um avião em queda.

     O choro de um bebê, simbolizando o nascimento de Pink, nos leva para a faixa seguinte. The Thin Ice narra os primeiros anos de vida do personagem, antes de ele ser capaz de entender o que houve com o seu pai. Dá indícios, também, da super-proteção que sua mãe lhe oferece – outro tema que será abordado adiante. A canção também faz referência aos efeitos causados pela guerra não só nas pessoas que sofreram com ela, mas também nas crianças que herdam tal sofrimento.

     Em seguida, a primeira parte de uma das mais conhecidas canções da banda, Another Brick In The Wall (Part I). Nela, Pink, mais velho, começa a compreender a morte de seu pai, que “voou através do oceano deixando apenas uma lembrança, uma foto no álbum de família”. Desolado com a realidade, ele começa a construir o muro. Este episódio simboliza o primeiro tijolo (Anexo 1A).

     As próximas faixas tratam de um polêmico assunto: a educação, alicerce de nossa sociedade. Em The Happiest Days of Our Lives, Pink vai para uma escola gerida por professores rigorosos e muitas vezes violentos. Segundo Roger Waters, a canção é uma reflexão de sua experiência ruim na escola. “Os professores na minha escola eram incrivelmente maus e tratavam as crianças muito mal, humilhando-as, nunca as encorajando a fazer qualquer coisa. Eles só queriam mantê-las quietas e sob controle, moldá-las como queriam”, disse ele certa vez a radio BBC. Segundo a letra, o tratamento dado aos alunos pelos professores era reflexo dos problemas que estes enfrentavam em suas vidas íntimas, com suas esposas “gordas e psicopatas”. (Anexo 1B)

     Coro de alunos contra o sistema de ensino, na versão fílmica de Alan Parker"
A próxima é a parte conhecidíssima de Another Brick In The Wall, a segunda. É um protesto contra o rígido sistema de ensino, em geral. Para esta segunda parte, surgiu a idéia de utilizar um coro infanto-estudantil. Foram chamados os alunos da escola Islington Green, que ganhou mil libras com essa participação. Entretanto, não houve acordos sobre royalties, o que provocou certa confusão anos mais tarde. A canção chegou a ser banida na África do Sul, pois estudantes negros a adotaram como hino do seu boicote ao sistema. É bem sabido que nos anos 70, durante o apartheid, a educação de cada criança negra – que a preparava não para a universidade, mas aos trabalhos braçais – custava ao Estado apenas um décimo de cada criança branca. Na época, estava em vigor a política da “Educação Bantu” (criada em 1953), a qual impunha: o Afrikaans como a língua de educação para os negros, escolas separadas, salas de aulas superlotadas e professores com péssima formação. A letra dá voz aos estudantes que dizem não precisar de educação (no caso, aquele tipo de educação a que estavam sujeitos) e de nenhum controle de pensamento, além de pedirem para serem deixados em paz pelos professores (Anexo 1C). Enfim, é uma canção contra ao sistema que oprimia as crianças, ao invés de estimulá-las e inspirá-las. Canção que foi boicotada, também, pelo governo inglês, chefiado no fim da década de 1970 por Margaret Thatcher. Foi considerada uma verdadeira afronta à “postura hipócrita da moral e da sociopolítica da Coroa Inglesa”, diz Waters.

     Mother é uma conversa entre Pink e sua mãe, na qual o ouvinte descobre mais sobre a super-proteção da mãe (“Mamãe te deixará aqui mesmo / Debaixo da asa dela”), que o ajuda a construir o muro que o protegerá do mundo, como é dito no verso “of course mother’s gonna help build the wall” (Anexo 1D).

     Anunciando o adeus à infância e à proteção da mãe, Goodbye Blue Sky introduz uma nova fase da vida do personagem. Os versos “The flames are all long gone / But the pain lingers on” (“As chamas todas foram embora/ Mas a dor demora a passar”) sugerem que tudo que o feriu física, mental e emocionalmente não mais faz parte da sua vida, mas as cicatrizes causadas ainda existem e doem. Cada dor é mais um tijolo no muro.

     Depois de um interlúdio, Empty Spaces – no qual Pink, já crescido e casado, enfreta problemas na relação com sua mulher devido à distância, diretamente ligada ao muro que ele constrói –, a história segue com Young Lust. Segundo Roger Waters, a canção é sobre qualquer banda jovem de rock ‘n roll na estrada. Pink tornou-se um rockstar e está sempre fora de casa devido às turnês. Longe da mulher, ele sai com suas groupies, mostrando a sua necessidade de se relacionar com o sexo oposto. No fim da canção, ele descobre que sua mulher também o trai, o que contribui para o seu declínio mental. One Of My Turns, a seguinte, refere-se ao “esfriamento” que ocorreu no seu casamento, tomado pela rotina.

     A depressão vem com Don’t Leave Me Now, na qual Pink implora à sua esposa que não o deixe. A traição dela é mais um tijolo no muro, que está completo em Another Brick In The Wall (Part 3). Enraivecido, ele decide terminar a construção, pois, como percebe, isolar-se de tudo é a única saída. Ele deseja se afastar de todos, os quais “foram apenas tijolos no muro” (Anexo 1E). O primeiro disco termina com Goodbye Cruel World, em que Pink despede-se da sociedade.

     A segunda parte do álbum começa com a belíssima Hey You, outra grande obra-prima. Nesta canção, o personagem percebe o erro que cometeu isolando-se da sociedade e pretende retomar o contato com o mundo além do muro, que ele não pode ouvir nem ver. Mais e mais desesperado, Pink vê que não há saída. A canção é a ponte entre seu isolamento e a adesão ao grupo fascista “The Worms” (Os Vermes). O tema será tratado adiante. Na instrumental Is There Anybody There?, Pink tenta fazer contato além do muro. A repetição dessa pergunta (“Há alguém aí fora?”) sugere que não há resposta. Em seguida, Nobody Home descreve a vida solitária do personagem atrás do seu muro imaginário. Não há ninguém para conversar. (Anexo 1F).

     Famosa e adorada no período da 2ª Guerra Mundial, a cantora Vera Lynn é mencionada (ironicamente, segundo Waters) na faixa seguinte, Vera. Suas canções otimistas forneciam esperanças às tropas européias, especialmente as inglesas. E é disso que essa curta faixa trata: esperança. Mas, no caso, ela se foi.

     Outra curta faixa em seguida – Bring the Back Boys Home, que, segundo Waters é sobre não deixar as pessoas irem à guerra e serem mortas – nos leva à clássica Comfortably Numb, cujo solo de guitarra é apontado como um dos mais bonitos de todos os tempos. Nela, Pink encontra-se sob os efeitos de uma droga e é examinado por um médico, com o qual conversa. O personagem apenas consegue visualizar imagens que remetem a episódios de sua infância, que são a razão para o seu refúgio nas drogas (Anexo 1G). Terminado o diagnóstico, o doutor aplica-lhe uma injeção. É uma canção sobre drogas, solidão e desesperança.

     Em The Show Must Go On, Pink reflete sobre o que irá fazer após terminar de construir o muro. Ele está ciente de que uma vida isolada não é saudável. Ele decide que o “show tem que continuar” (metaforicamente, a vida). O estresse da constante construção leva às alucinações de In The Flesh. Esta canção é a primeira de algumas canções nas quais Pink, drogado, imagina ser um ditador fascista. Ele incita sua platéia a demonstrar a sua devoção a ele jogando para além do muro homossexuais e minorias. A multidão grita seu nome e a história segue com Run Like Hell. As pessoas vestem seus “melhores disfarces”, as máscaras de botão no rosto, que representam a alienação. É uma referência aos governos – com Pink fazendo o papel de governante, alguém como Hitler. A letra afirma que todo tipo de governo pode ser comparado ao nazismo, pois todo governo acaba alienando a população através da educação e propaganda. Quanto mais culto um cidadão, mais capacidade crítica ele terá para questionar seus representantes, cobrando mudanças e protestando contra as ações. Aí reaparece a essência de Another Brick In The Wall. Para o governo, é mais interessante controlar o que as pessoas aprendem para que elas sejam manipuláveis.

Pink, o ditador, na versão fílmica

     O grupo fascista The Worms aparece novamente em Waiting for The Worms, faixa que trata da luta contra o isolamento e suas causas, além de fazer referência à propaganda nazista, a qual explorava os sentimentos, o coração da massa. Hitler dizia que na propaganda tudo é permitido: mentir, inclusive. Nesta canção, há referências a martelos, que seriam o símbolo do partido, assim como a suástica era o do nazista.

Martelos: referência à suástica nazista     Não é nada fácil lutar contra o isolamento, algo natural quando há tantas feridas na vida, como é o caso de Pink. Assim, em Stop, a faixa mais curta do álbum, Pink se cansa de fazê-lo. Aqui, ele é preso por ser um fascista e é levado a um julgamento, The Trial, que existe apenas em sua mente. Nesta canção, há um confronto com todos os problemas da sua vida (os quais foram apresentados no decorrer do álbum): o rígido sistema de ensino, professores abusivos, a super-proteção da mãe, a traição da esposa. Um novo personagem é apresentado ao ouvinte: o Juiz, que Pink chama de “verme”, assim como todas as outras pessoas da sua vida. Esses vermes comeram seu cérebro. O ponto final é a sentença dada: destruir o muro. A canção termina com os gritos de uma multidão (“Tear Down The Wall” / “Derrube o Muro”) e o som da barreira sendo destruída pela sociedade; não por Pink. (Anexo 1H).

      A última do álbum, Outside The Wall, trata das pessoas que estão do outro lado do muro, que amam a pessoa que está isolada. Algumas acabam desistindo. Ou seja, se você não derrubar o seu próprio muro, aqueles que tentam lhe libertar acabarão desistindo e o deixarão sozinho. Foi o que aconteceu a Pink durante a história.

    The Wall termina aí, sem indicações sobre o que aconteceu com o personagem principal (um sujeito cuja vida é um abismo de perda e isolamento) após o muro ter sido destruído. Esse álbum é uma obra de protesto contra a sociedade e tudo o que ela pode fazer com uma pessoa, levando-a ao isolamento. Para Pink, o mundo estava errado. Mas para o mundo, quem estava errado era Pink.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Martelato, músico de rua



Martelato em ação
♦ Martelato em ação, na rua da Consolação


     Munido de seu sax e um chapéu, onde as gorjetas são colocadas, João Luciano da Silva, de 55 anos, chama a atenção de quem passa pela esquina da avenida Angélica com a Higienópolis. Semanal-mente, o músico, que prefere ser chamado de Martelato, toca nesse ilustre bairro da capital paulista. Professor de trompete, bandolim, violão, saxofone e flauta, Martelato toca há mais de trinta anos na rua, onde ganha uns trocados “para comer alguma coisa”. Carregando no peito uma placa com os dizeres “Exija música ao vivo”, o músico de rua fala sobre sua vida musical e acusa os DJs de roubarem o espaço de instrumentistas como ele. Além disso, ele critica duramente a Ordem dos Músicos do Brasil, criada em 1964 durante o regime militar, por ser uma espécie de “rapa” dos músicos.

Como começou a sua trajetória musical?
Comecei tocando em 1964 nas ruas de Pernambuco, estado onde nasci. Dois anos depois, vim para São Paulo, onde toquei no quartel, nas bandas do exército. Não me adaptei à vida militar porque já nasci comunista, vermelho até a alma. E não tinha como, naquela época, eu permanecer no regime militar. Filiei-me ao PT e participei muito das atividades dos sindicatos, como greves e passeatas. Sempre defendendo os músicos e metendo o cacete na pilantragem, nos safados que vivem na moleza. 

Desde quando o sr. toca na rua?
Desde quando eu nasci. Eu tocava na banda do exército, nas fanfarras, nas bandas marciais, nas bandas que tocavam nos colégios, praças, coretos, festas, nos carnavais de rua, tudo na rua. A cultura do Brasil sempre foi na rua. Depois que inventaram o teatro, o circo. 

Por que tocar na rua hoje?
Porque leva mais cultura à população, que é carente disso. Há muita baboseira em termos de composição por aí. As emissoras de rádio e televisão não conseguem mais tocar música com sabor de música, com melodias. Então eles são obrigados a entrar no comércio, onde os falsos músicos e compositores inventam músicas que não existem com letras imorais. Essas emissoras não dão chance para a verdadeira música. É sempre na base do jabá: você paga para se apresentar no rádio ou na televisão. Não interessa se você tem talento ou dom musical, basta que você pague para conseguir o espaço. Aí que acontece a injustiça com nós que estudamos música, que nos dedicamos. 

Qual o tipo de música o sr. toca?
Qualquer tipo de música. Toco muito jazz, rock, samba, música clássica, dos Beatles a Roberto Carlos. Eu monto meu repertório há mais de trinta anos, então não tem como saber quantas músicas são. O que você pedir eu toco, até essas porcarias que rolam por aí. Pagando, não é? Sou profissional, sindicalizado e com a carteira da Ordem.

Como é a união dos músicos brasileiros?
Nós somos profissionais inscritos na Ordem dos Músicos do Brasil (OMB), que foi criada em 1964, vinte anos depois do Sindicato dos Músicos, que protege a categoria. Ele ajuda com a parte jurídica, além de oferecer auxílio médico e odontológico. A Ordem já é mais um negócio do Governo para multar o Sindicato, em 20% do imposto sindical, e mesmo para constranger o músico com esse papo de fiscalizar a profissão e/ou discipliná-la. O músico não gosta da Ordem, pois ela não oferece nada a ele a não ser a “permissão para tocar”. Antes de ela existir, o Sindicato, que existe desde 1940, já nos permitia tocar na rua.

O sr. paga algum valor para ser filiado ao Sindicato?
Sim, há uma taxa de R$10 por mês, além do imposto sindical. Pago também, contra a minha vontade [enfatiza], sem nenhum prazer, a anuidade da OMB, que é uma espécie de “rapa” dos músicos. Já o Sindicato é uma beleza. O “rapa” não, é constrangedor.

A anuidade não se reverte em nenhum benefício?
Não. A Ordem só multa os Sindicatos em 20%, que é o imposto sindical. Esse dinheiro todo vai para o Conselho Federal e é gasto com funcionários estranhos à categoria musical. Nenhum ali é músico, assim como os fiscais, que apenas sabem nos constranger. Você entra na Ordem e os diretores nunca estão lá, os conselheiros idem. Os que estão lá só sabem mandar, são pessoas que nos empurram e ameaçam com excesso de autoridade. É tudo obra do regime militar que colocou esses abusados no poder e lá eles ainda estão. Só tem safadeza.

O sr. conhece o ex-presidente da OMB Wilson Sandoli?
Conheço. Ele foi o único defensor dos músicos. Ele inventou, com muita propriedade, essa frase [apontando para a placa que carrega no peito e nas costas]: “Exija música ao vivo”. Ele lutou muito em defesa da música instrumental. O Sr.Wilson defendeu o musico profissional durante toda a sua vida no Brasil, principalmente aqui no Estado de São Paulo. A categoria dos profissionais legítimos, aqueles que estudaram, o ama. Quem nunca estudou e que não dá valor à faculdade de música e aos conservatórios pode não ter muita simpatia por ele.

Dá pra viver de música?
Até dá. Antes do playback ou dos DJs era melhor. A nossa vida era até invejável. Hoje vivemos precariamente, estamos numa crise, não é? A juventude atual não se liga em cultura. E o futebol está em alta. A população prefere a violência do futebol. Veja bem o que aconteceu nessa madrugada depois que o Timão ganhou [Ele se refere ao ônibus da torcida vascaína que foi queimado pela corintiana após o jogo e ao torcedor morto com um tiro em uma briga entre torcedores antes da partida].

Não é exagero? Não pode generalizar...
Não, futebol gera violência. Veja bem, no país temos duas maldições bem caracterizadas: o excesso de religiões mentirosas que há por aí que ganham dinheiro em cima dos fiéis e o futebol. Com isso, o Brasil vai cada vez mais pra baixo porque o futebol não leva a nada e a religião a canto nenhum.

Voltando à música, como o sr. acha que a situação dos músicos poderia ser revertida?
Primeira coisa que nós queremos e reivindicamos, com o apoio do Sindicato dos Músicos, seria música ao vivo nas emissoras de rádio e televisão. O disco foi feito para se ouvir em casa e não no rádio. Se os músicos tocassem ao vivo no rádio, eles iriam ganhar muito com isso. A pessoa teria que ter talento pra se apresentar e não poderia ficar fazendo mímica, nem tocando disco “falso”. A maioria dos discos que são tocados por aí são falsos: o produtor compra a música de uma pessoa e coloca a voz e o nome do suposto artista, que usa playback para se apresentar. Os DJs são grandes culpados também pela situação do músico hoje. Eles passam a mão num disco, apertam uns botões e dizem que estão fazendo música. Está cheio de falsos músicos por aí. O Sindicato está tomando conta disso, já que a OMB não faz nada, só se acovarda.

Goo Goo G'Joob



Apresentação do autor.

     Renan Goulart, 20 anos, enrola os cabelos, já enrolados por natureza, a todo instante. Um tique nervoso? “Não creio que seja. É mais um mau hábito, uma mania.” Ele passa o dia com a namorada, ouvindo o melhor do rock clássico e dedilhando canções em sua guitarra, “a qual comprei com meu próprio dinheiro”, enfatiza.
     Natural de São José dos Campos (SP), mudou-se para a capital na semana em que começou os estudos de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero. “Foi uma mudança grande. Recebi a ligação um mês depois de terem começado as aulas. De uma hora pra outra, perdi o conforto da casa da mamãe e fui morar na república de um primo meu”, diz, tomando um gole do seu café. Ele é o filho mais novo, temporão mesmo. Walter, 39; Maira, 36; e Cibele, 34, torceram muito para que o garoto fosse fazer faculdade em São Paulo. Segundo Renan, os irmãos dão toda a força para que ele consiga alcançar seus objetivos. 
     Desde muito novo, Renan se interessa por leituras. Seu pai, Walter, ensinou-o a ler com apenas três anos e, desde então, cultiva o hábito. “Já assinei várias revistas e costumo ler jornal todos os dias”. Está lendo “A Sombra do Vento”, um recente fenômeno editorial que consagrou Carlos Ruiz Zafón como uma das maiores revelações literárias dos últimos tempos. Nos períodos de leitura curta, lê a última edição da revista “Bravo!” ou folheia a “Piauí” da namorada, Amanda Nogueira, 19 anos. 
     Aos 11, teve a idéia de criar um jornal noticiando tudo que acontecia dentro de casa, a Gazeta da Casa, que durou 3 anos, mais de 120 exemplares e alguns assinantes. “Engraçado que todo mundo começou a tomar cuidado com o que fazia perto de mim, com medo de sair na Gazeta”, ri. Nesse momento, Dona Sônia, a mãe, entra na sala carregando alguns exemplares do periódico. “Ela gosta de me envergonhar (risos). Era meio bobo”, confessa. “Eu criei vários personagens, que eram repórteres fictícios, e com eles produzi alguns produtos licenciados, que geraram algum lucro”, gaba-se. 
     Aos 16, descobriu um velho violão no seu armário, que despertou seu interesse pela música. Renan gosta de classiqueira. É fã incondicional dos Beatles, tanto que coleciona algum material do grupo inglês, sucesso dos anos 60. “Tenho algumas biografias, todos os CDs, alguns LPs, revistas. Sei todas as histórias. É minha maior influência!”. Mas foi ouvindo as guitarras psicodélicas do Pink Floyd que a vontade de aprender a tocar aflorou. “Aqueles solos são realmente muito loucos”, comenta. Aos poucos, começou a compor suas próprias canções, mas nada que o agradasse. A inspiração veio mesmo com sua atual namorada, para a qual várias músicas foram escritas. “Tem no myspace, quem quiser me procura lá.” (www.myspace.com/rrrgoulart) 
     Atualmente cursa Jornalismo na Cásper Líbero, renomada instituição de ensino superior na área de Comunicação. “Sempre quis estudar lá. Engraçado como vários sonhos se tornaram realidade nos últimos tempos”, comemora. E o sonho de ser jornalista está a um passo de ser realizado. “Espero aproveitar ao máximo essa fase e tudo que a faculdade tem a me oferecer para que eu possa ser um profissional de qualidade”, finaliza.