sábado, 7 de novembro de 2009

Guitarras a todo volume


IT MIGHT GET LOUD
Gênero: Documentário musical
Duração: 97 min
Origem: Estados Unidos
Direção: Davis Guggenheim
Ano: 2008

      A guitarra, desde sempre, foi um instrumento que me fascinou. Como podem seis cordas presas em um pedaço de madeira produzir sons tão belos ou raivosos? Eu tinha a necessidade de aprender a fazer aquilo que eu via e escutava. Era como se faltasse algo; poderia ser um jeito de me expressar, já que nunca fui tão adepto das palavras faladas.

     Descobri um pequeno violão velho num armário em casa e pus-me a produzir sons aleatórios. A primeira coisa que consegui tocar foi o riff de Come As You Are, do Nirvana. Mas era pouco! Eu queria ser capaz de produzir sons tão bonitos quanto os solos do Pink Floyd ou tão raivosos quanto os riffs e solos do Led Zeppelin. Um ano depois, comprei minha primeira guitarra: uma stratocaster prata (que me acompanha até hoje) e tudo foi possível.

Esses dias fui assistir A Todo Volume (It Might Get Loud), uma espécie de documentário sobre a paixão pela guitarra. O diretor Davis Guggenheim juntou três ícones de gerações diferentes para se reunir, contar histórias e, claro, tocar guitarra. O resultado foi excelente. Temos um documentário rico para os apaixonados pelo instrumento e pelo trabalho daqueles artistas que marcaram suas épocas. O time é composto por nada menos que Jimmy Page (Led Zeppelin – anos 70), The Edge (U2 – anos 80) e Jack White (White Stripes, Raconteurs – anos 90), que contam como desenvolveram suas técnicas e tocam as músicas uns dos outros, numa descontraída jam.


Jimmy Page dispensa comentários e apresentações. É simplesmente um dos guitarristas mais influenciadores das gerações atuais. É incrível como ele podia/pode fazer coisas tão belas como Since I’ve Been Loving You (minha música preferida do Led Zeppelin) e tão nervosas como Dazed And Confused. Ou épicas como Stairway To Heaven. Em It Might Get Loud, lá está Page todo velhão segurando sua Gibson Les Paul como se o tempo não tivesse passado, produzindo sons arrepiantes. Momentos únicos são vistos, como um vídeo de Page quando adolescente, num programa de televisão tocando com sua banda de skiffle. Na conversa com o apresentador, disse que queria ser biólogo (assista ao vídeo na íntegra aqui). Que bom que ele desistiu dessa idéia. Além disso, podemos conferir sua coleção de vinis e os sons que marcaram sua vida, como Rumble, do Link Wray.

Entretanto, um ponto polêmico do documentário é a escolha de The Edge para o elenco. Muitos, como eu, não o consideram do mesmo nível que os demais. Ele pode ter feito coisas legais e novas com seus efeitos e texturas, mas nada grandioso. Acho que quem realmente influenciou e deixou sua marca para as próximas gerações foi todo o U2. Por outro lado, The Edge toca PARA a banda, o que é um grande ponto a seu favor, visto que muitos guitarristas querem apenas é impressionar outros músicos e fãs com seus malabarismos e solos à velocidade da luz. Seu som realmente se encaixa no contexto da banda e isso não o torna um músico ruim, muito pelo contrário. Mas se é um documentário sobre guitarra... má escolha.


Jack White é um cara estranho e um excelente músico. Chegou a ser considerado o melhor guitarrista da atualidade e conquistou o 17º lugar na lista dos “100 maiores guitarristas de todos os tempos” da revista Rolling Stone. Ele bebe na fonte do blues dos anos 20 e, sem dúvida, é um cara que sempre tem algum trabalho novo para mostrar. Sua participação no filme me fez querer ir atrás de seus álbuns e conhecer sua música. Apesar de já conhecê-lo como membro do White Stripes e do Raconteurs, nunca ouvi com muita atenção o seu trabalho, o qual estou conhecendo aos poucos. Até agora, deu pra perceber que ele é um cara de grande talento, coisa rara atualmente.

Saí do cinema com vontade de pegar minha guitarra, plugar no amplificador, regular uns efeitos e produzir sons malucos. Sempre acontece quando vejo filmes assim ou alguma banda tocando. Ver aqueles caras e ouvir suas histórias me fez querer entrar nas profundezas dos assuntos guitarrísticos e estudar cada vez mais, além de me dedicar mais à composição. It Might Get Loud é um filme imperdível, altamente recomendável para todos – não só para os que curtem o bom rock ‘n roll, mas para todos os apaixonados por música. E, claro, pela guitarra.

TRAILER

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