Hora do almoço, milhões de paulistanos se deslocam pela cidade durante a pausa do meio dia. Os ônibus, já lotados normalmente, mais e mais se enchem de gente. É a oportunidade perfeita para a ação de ladrões silenciosos. Quem utiliza habitualmente linhas que percorrem a rua da Consolação e as avenidas Rebouças e Paulista, em São Paulo, provavelmente já viu um sujeito alto, magro, negro e bem vestido. Aliás, dezenas deles. E um desses sujeitos aproveita-se da situação de lotação, além da aparência comum, para praticar pequenos furtos.
O homem com essas características entra no ônibus, paga os R$2,30 da passagem, passa pela catraca (cuja pintura está gasta) e espera pela melhor oportunidade. Os passageiros se distraem, conversam, ouvem música ou lêem o jornal na esperança de que o próximo ponto chegue logo. Ele olha para todos os lados, como se estivesse procurando algo. Uma mocinha de uns 19 anos conversa com o namorado. Ela é baixa, branca, tem bochechas grandes e usa uma bolsa azul e estampada a tira colo. Seu celular toca. A garota abre a bolsa e deixa-a semiaberta após procurar pelo telefone e atendê-lo. O namorado, baixo e barbudo, presta atenção no trânsito. Eles estão perto da porta à espera do próximo ponto. O homem se aproxima, segurando seu paletó no braço direito, deixando, assim, as mãos livres. Disfarçadamente, ele coloca a mão direita dentro da bolsa da menina à procura de algo valioso fácil de pegar. O namorado percebe e fita-o incrédulo, paralisado, sem ação. A menina continua falando ao celular e nem percebe que acabou de perder uma nota de R$20, que o ladrão acabara de colocar no bolso da sua calça social preta. Ele, ao ver que tinha sido flagrado pelo namorado da moça, o qual ainda fitava-o, arregala os olhos e se faz de inocente. O garoto barbudo, com os olhos fixos no gatuno, chama a menina pelo nome, alertando-a do perigo. O homem fica nervoso e repete algumas vezes numa voz trêmula: “Senhor?”. O ônibus chega à parada Brasil e o casal desce, sem ação alguma. E lá se vai o larápio silencioso e bem vestido pronto para fazer outras vítimas.
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