Um dos trabalhos nos quais me envolvi recentemente foi o e-book "Comunicação Digital: um panorama da produção acadêmica do DIGICORP", que apresenta um panorama da produção, no campo da comunicação digital, de nove artigos dos alunos do curso de especialização Digicorp - Curso de Gestão Integrada da Comunicação Digital nas Empresas, da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Pensando na leitura em dispositivos móveis, busquei trabalhar uma linguagem visual moderna, clean e baseada em cores neutras.
Faça o download do e-Pub para ler em seu dispositivo:
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Organizadoras
Daniela Osvald Ramos
Elizabeth Saad Corrêa
Preparação de texto e revisão
Daniela Osvald Ramos
Promoção e Divulgação
Grupo de Pesquisa COM +
Autores
Else Lemos, Tatiana dos Santos Nascimento, Fernanda Petinati Coutinho, Ana Maria Pereira Cerqueira, Gabriela Stripoli Mendes, Gustavo Moreno, Elisabete Cristina Lopes, Marina Viegas Sathler Pavão, Patricia Liers Giacon.
Projeto Gráfico e Diagramação
Renan Goulart :: renangoulart.com
terça-feira, 19 de agosto de 2014
terça-feira, 29 de julho de 2014
BRAVO! 177 - Maio/2012
Na edição de Maio de 2012 da BRAVO!, cuidei de duas matérias, ambas da editoria de Cinema. São elas:
"O ano em que meu irmão saiu de férias"
Para trabalharmos na diagramação dessa matéria, recebemos fotos dos arquivos pessoais das diretoras Lúcia Murat e Flávia Castro. Para quem não sabe, elas produziram, respectivamente, "Uma Longa Viagem" e "Diário de Uma Busca", filmes com temáticas bem semelhantes: tratam de seus respectivos dramas familiares na época da ditadura.
Com as fotos em mãos, vi que seria uma boa trabalhar com a ideia de um álbum de memórias, já que as imagens eram todas antigas e bem pessoais. A primeira versão ficou bem pesada, com o fundo escuro e sombras artificiais feitas no Photoshop - o que não nos satisfez.
A designer Renata Miwa veio com a solução. Recortamos papeis no formato de fotografias e espalhamos pela mesa. Estabelecidas as posições, colamos todos os pedaços em uma folha A3 e pedimos para a editora de fotografia Valéria Mendonça tirar uma foto do esquema. Assim, teríamos sombras naturais e uma produção mais real. Depois, foi só aplicar as imagens e pedir uma ajuda para o pessoal do Centro de Tratamento de Imagens, que deixou tudo nos trinques.
"Bergman podia ser bastante perverso"
Para a entrevista com Harriet Andersson, primeira musa-amante do diretor Ingmar Bergman, tínhamos à disposição uma excelente foto da atriz, que utilizei no abre. Não tinha como não estourá-la em uma das páginas, afinal, é uma baita imagem, ideal para um abre de impacto.
sábado, 17 de dezembro de 2011
Revista Esquinas #50 - FIM DO MUNDO
Outra belezinha que saiu há pouco foi a Revista Esquinas #50, produzida pelos alunos de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero e coordenada por nós do Núcleo Editorial. Leia:
Essa foi a edição com a qual mais me envolvi. Confira a seguir algumas páginas que ficaram sob a minha responsabilidade (clique para ampliar!):
Projeto NASA - O infográfico da página da direita deu trabalho. Inspirado nas produções da Superinteressante, levei cerca de 30 horas para apurar as informações e montá-lo.
Massacres no Brasil - Primeiras páginas a serem diagramadas durante todo o processo. Não tinha trabalhado muito com círculos até então e tampouco havia visto coisas do tipo nas últimas edições da revista. Acredito que tenha sido uma boa inovação para o Esquinas!
Obrigado Fernanda, Petrus, Tiago e a todos os alunos pelo excelente trabalho!
Projeto NASA - O infográfico da página da direita deu trabalho. Inspirado nas produções da Superinteressante, levei cerca de 30 horas para apurar as informações e montá-lo.
Massacres no Brasil - Primeiras páginas a serem diagramadas durante todo o processo. Não tinha trabalhado muito com círculos até então e tampouco havia visto coisas do tipo nas últimas edições da revista. Acredito que tenha sido uma boa inovação para o Esquinas!
Mercado da guerra - Minha referência nessa pauta foi o excelente infografista italiano Francesco Franchi. Seus trabalhos são impressionantes e sempre fico de olho no que ele anda fazendo. Essas páginas estão entre as mais trabalhosas - levei cerca de 13 horas em cima dos gráficos.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Revista CÁSPER #5
Ficou uma belezura a nova edição da Revista Cásper, produzida no Núcleo Editorial da Faculdade Cásper Líbero - a minha primeira como editor de arte.
Na página 52, leiam "A Arte de Sujar os Ouvidos", matéria que fiz sobre jornalistas que escrevem sobre música. Foi ilustrada com imagens feitas por Amanda Nogueira da belíssima coleção de discos que seu pai possui.
Mais informações sobre a revista aqui.
Na página 52, leiam "A Arte de Sujar os Ouvidos", matéria que fiz sobre jornalistas que escrevem sobre música. Foi ilustrada com imagens feitas por Amanda Nogueira da belíssima coleção de discos que seu pai possui.
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sexta-feira, 15 de julho de 2011
"Não sou um guia de consumo" - Jotabê Medeiros
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| Durante Congresso de Jornalismo na UFSC // Foto - Rodolfo Conceição |
por Pedro Godoy e Renan Goulart
Seria mais uma das muitas cabeças perdidas no mar de mesas e papéis espalhados pela redação do Estadão, se não fosse, antes de tudo, uma cabeça perdida em música. Eis Jotabê Medeiros: camiseta branca, calça e jaqueta jeans, aparência tranqüila e ar jovial, apesar dos cabelos brancos. A indumentária ajuda a escurecer um pouco os cabelos, mas percebe-se que já não é nenhum garoto. São mais de 25 anos de carreira. A maior parte deles no próprio Estadão.
Formado em jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina, Jotabê iniciou a carreira em 1985, escrevendo para a extinta revista SomTrês. Conseguiu o emprego após mandar um ensaio sobre o disco The Wall, lançado em 1979, pela banda Pink Floyd. Veio para São Paulo em 1986, a convite do jornal O Estado de S. Paulo. Trabalhou também na Folha de S.Paulo e na rede de televisão CNT/Gazeta, até retornar ao Estadão.
Jotabê deixa claro que sua especialidade é música Pop. Acompanha tudo o que lhe é possível acompanhar. Se há alguma novidade em algum cenário musical do país, seja São Paulo, Porto Alegre, Brasília ou Recife, lá está ele. Em suas palavras: “é preciso identificar essas coisas antes que tenhamos que ler na Uncut ou na Rolling Stone americana”. Por outro lado, não abre mão de clássicos como David Bowie e Lou Reed. Fundamentais, segundo ele próprio. Em entrevista concedida, Jotabê fala sobre a carreira, o que o inspira a escrever e explica por que o crítico deve ser ouvido. Conta algumas de suas desavenças com medalhões da música brasileira e esclarece que um Ipod não é o bastante para que os artistas consigam elogios dele.
Como foi o começo da sua carreira como crítico, como veio parar aqui?
Em 1985, eu estava cursando Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina (UEL), no Paraná, onde me formei em jornalismo. No último ano de faculdade, não tinha nada pra fazer, só ouvia música a tarde inteira. Poxa, eu precisava ganhar a vida. Peguei um disco que não era tão velho, mas já era velho na época, o The Wall, do Pink Floyd, e fiz um ensaio bem grande sobre ele. Coloquei num envelope e mandei para a revista Som Três. O editor era o Mauricio Kubrusly, hoje repórter do Fantástico, que me ligou um dia dizendo que tinha lido meu texto e gostado bastante. Então, me chamou para escrever resenhas de discos para eles.
Em 1986, eu trabalhava na Folha de Londrina e, na época, o Caderno2 do Estadão estava sendo lançado. O editor era o Luiz Fernando Emediato, que estava recrutando jovens jornalistas para compor a equipe do novo caderno. Ele me ligou dizendo que tinha lido um texto meu e que estava precisando de um cara como eu. Então, me fez uma proposta. Era uma quinta-feira e ele precisaria de mim na segunda, em São Paulo. Quando eu ouvi o salário, que dava um pouquinho mais do que eu ganhava lá, falei: “tranqüilo, segunda-feira estou aí!”. Peguei as malas, desembarquei na rodoviária do Tietê e isso já faz 25 anos
Por que o crítico deve ser ouvido?
Essa é uma questão fundamental da atividade. Teve uma época que chegavam toneladas de lançamentos em discos e, depois, em DVD. Alguém tinha que fazer a triagem disso, dizer o que é fundamental ou não. O crítico ficou meio que o cara que fazia essa seleção. Eu o vejo de um ponto de vista diferente. Além de ter esse papel, é o cara que separa o joio do trigo ou, pelo menos, ajuda o ouvinte comum a discernir o que pode ser fundamental do que não é. É óbvio que isso não funciona como lei, cada um gosta do que quiser. Não sou um guia de consumo. Eu tenho a pretensão de que o texto possa permanecer e tenha uma função, digamos, reveladora de sua circunstância: em que período foi feito, como se pensava nessa época, qual era a idéia que as pessoas tinham de arte. O texto de crítica permite tudo isso: que haja uma liberdade, dentro da ação jornalística, de linkar com eventos da política. Eleição do Obama e Lollapalooza foi “o” assunto, em 2008. Se você não consegue captar o que está vivendo, qual seu lugar no mundo e transferir isso pro seu texto, então a função do crítico fica um pouco descartável.
O que você acha da crítica que é feita atualmente?
A crítica de música já passou por várias fases. No Brasil, ela é muito recente. É uma coisa que começa profissionalmente mesmo nos anos 80. Antes disso, era muito esporádica e não tão profissional. Os caras que trabalhavam com isso, tipo o Nelson Motta, eram também promotores de shows ou tinham relações com bandas, como o Ezequiel Neves. Eu sou da segunda geração dessa crítica contemporânea de pop e rock. Hoje em dia temos a internet, que nos permitiu uma nova relação com a música; tanto é que o disco não existe mais, praticamente. Uma coisa curiosa é que os grandes embates críticos ainda são travados nos velhos veículos, como Folha, Estadão e O Globo. A crítica tradicional é ainda a que tem o papel mais ativo.
É importante que o crítico musical tenha conhecimento musical, de teoria ou que saiba tocar algum instrumento?
Essa é uma discussão antiga. Eu acho que não. Conheço gente que toca maravilhosamente bem, faz coisas incríveis, consegue compreender obras de uma forma muito complexa, mas não consegue escrever direito uma linha. Conheci críticos que eram ótimos músicos e outros que só sabiam tocar campainha, como eu mesmo. Às vezes, vou a shows com amigos e todos comentam que foi do caralho, como o da Sharon Jones, recentemente. Depois você vai ler os blogs deles e os textos que escreveram a respeito são precários, uma bosta. Por quê? Eles sacaram que os Dap-Kings são ótimos músicos, que aqueles instrumentos valvulados fazem um som vintage, diferente. E, no fim, o que você tem? Um problema de transcrição do que você viu. Eles não conseguem descrever as coisas, fazer uma tradução.
Quando você escreve, procura abordar quais pontos? Tem algum critério objetivo?
Tem atitudes diferentes pra um show de rock, pra um de pop, jazz, que seja. Por quê? É uma circunstância social. Ele é irrepetível. Já o disco exige conhecimento historiográfico. Por exemplo, você ouve o novo disco do Arctic Monkeys. Para falar sobre ele, é bom que você tenha conhecido Syd Barret e os primórdios da música psicodélica inglesa, senão vai achar que eles acabaram de inventar alguma coisa. Por isso eu te digo: é uma formação complexa, que, aliás, não tem escola. Você tem que ter uma disciplina para poder ouvir o máximo que puder, ver o máximo que puder e tentar se preparar para poder ter essa base.
E por que música? Não tem interesse por outras áreas?
Tenho, claro. Para ser bem sincero, gosto muito de esportes. É que a vida empurra a gente para as coisas com que você tem afinidade. Eu tenho uma particularidade dentro do mundo do jornalismo cultural que é escrever sobre várias coisas. Faço muita reportagem de política cultural, por exemplo, que é algo que tem poucos especialistas no Brasil. Faço porque vi a necessidade, a partir dos anos 1980, e fui meio que empurrado para isso. Eu conheci as leis de incentivo. Alguém tem que fazer isso porque é um foco de financiamento público, tem dinheiro público envolvido, muita picaretagem. É bom que alguém faça.
Sobre a formação em jornalismo cultural, como você a vê?
Acho que tem muita gente “cagando regras”, pra usar uma expressão da minha época, dizendo o que tem que ser feito etc. Mas, em geral, são pessoas muito familiarizadas com a “arte” de escrever artigos de jornalismo cultural. A reportagem é muito fraca, do ponto de vista bibliográfico. Ninguém se preocupa em mostrar quais são os princípios que devem nortear uma boa reportagem de jornalismo cultural ou como tem sido o desenvolvimento dessa área no Brasil desde o primeiro caderno do tipo. Vejo também uma grande dificuldade das pessoas, que acham que, por terem sido contratadas por um caderno de cultura, são críticas e não fazem mais nada, como se jornalismo fosse isso. Você tem que estar atento à área Policial, de Política e muitas outras. Jornalismo cultural está inserido dentro disso, assim como Economia, Esportes. Tem cara que acha que é abençoado por Deus e que, portanto, não vai fazer mais nada além de dizer o que ele pensa sobre o show dos Strokes, no esquema do “gosto” ou “não gosto”. Como se a sua opinião fosse a coisa mais importante do mundo. Opinião todo mundo tem. A sua tem que ser qualificada e servir para um tipo de revelação. Revelar para o leitor que ali tem uma engrenagem, tem algo acontecendo.
Uma coisa muito falada dentro do meio musical é o chamado jabá. Um caso claro em que houve isso, muito divulgado, foi o da Maria Rita. Ela distribuiu ipods à imprensa com seu disco. Como isso acontece?
Nesse caso do ipod, na época, o aparelho custava quanto? Uns mil reais, não sei. Na verdade, hoje seria um pendrive, mas na época era um fetiche de classe média. Os caras mandaram uns dez daqueles para as redações, com as músicas do disco. Não tinha como não receber, senão não ouvia o disco. Isso foi uma coisa meio cabotina da Veja [a revista publicou uma dura matéria classificando o ocorrido como “mensalinho” da Maria Rita]. Acho legal que você seja criterioso nesses casos. Não acho que a Veja foi errada, tem que patrulhar mesmo.
Só que eu fui no show da Madonna e tinha um camarote da Renner só para VIPS. Eu vi quatro editores-executivos da Veja lá. Cada ingresso daquele custava 600 reais e eles não pagaram para estar lá. Foram convidados pela Renner, o patrocinador-máster, que colocou muito dinheiro ali. Eles não aceitaram o iPod, mas aceitam convites como esse, que os compromete com patrocinadores e esquemas de favorecimento, apesar de não estarem a trabalho. Então, que isenção têm para criticar o cara que aceita uma caixa de CDs para criticar?
Você não tem confiabilidade durante 25 anos fazendo um jogo desses. Os jornais devem ter o cuidado de recusar certos tipos de convite. Aqui, por exemplo. Sou empregado do jornal e ele se livra de mim a hora que quiser. Meus editores estão de olho em mim e tenho que prestar contas pra eles apenas. Nessa área de cultura, é meio irrelevante falar a respeito porque a gente recebe uma caixa de CDs do Gilberto Gil, por exemplo. Todo mundo recebe, é material de trabalho. Você pode devolver ou não, fica a seu critério. Sinceramente, nunca vi nenhum colega ser corrompido por uma caixa de CDs do Gilberto Gil. Isso é uma besteira tremenda.
Então é preciso avaliar essa questão com certo cuidado. O jabá que a Veja mencionou, no caso da Maria Rita, acontece em rádios de uma maneira muito mais perniciosa: obriga o ouvinte a ouvir determinadas coisas.
Esse esquema que existe, que é milionário, de reprodução de um padrão de gosto, é que tem que ser combatido. Aplicar isso ao coitado do cara que recebe uns discos do AC/DC para fazer uma resenha é um despropósito.
Quando vai cobrir um show, você paga pelo seu ingresso ou vai pelo Estadão?
Você sabe como é São Paulo. Se eu fosse entrar na fila para comprar ingressos de shows no auditório do Ibirapuera, como os do Wayne Shorter, do Joshua Redman e da Sharon Jones, eu jamais ia conseguir. Não tem como. Nisso, a gente depende exclusivamente do promotor, que ele tenha interesse de ter uma análise daquilo e respeite a absoluta neutralidade que teremos naquilo. Se acharmos uma merda, vamos escrever isso, como sempre foi. No disco da Maria Rita, por exemplo, escrevi que era uma bosta [risos], que ela é um clone mal-ajambrado da mãe dela. É o que eu acho mesmo. O cara me deu um ipod para falar mal de um produto dele. Não faz sentido.
Não tem como disputar ingresso nesses eventos que somos convidados e o credenciamento é uma forma de garantir que terá um representante do jornal por lá. Quando você tem 10 mil pessoas aqui para ver a Amy Winehouse, é preciso que tenha gente lá cobrindo. É um evento social que pode envolver, às vezes, alguma tragédia. Você tem que ter reportagem presente em todos esses lugares. Os promotores entendem isso e, invariavelmente, eles são criticados. A organização de grandes shows em São Paulo está longe de ser perfeita. É muito precária, tem problemas sérios. Foi o caso do SWU, por exemplo, que foi massacrado pela questão dos banheiros. Era um evento meio Woodstock, não tinha como transformar o lugar em um Teatro Municipal, entende? Era uma fazenda! Foi criticado mesmo assim, todos estando lá a convite do promotor.
É preciso ver isso. Não vejo como alguém pode ser corrompido dessa maneira. Nunca vi, aliás. Eu já vi gente que escreve mal, defende mal seu ponto de vista. É pior do que um cara corrupto. Aliás, o que é corrupção em jornalismo cultural? Aceitar um convite para ir a um show? Essa liberdade de escrever sobre o que quiser, essa autonomia, é que faz com que as pessoas tenham respeito por você.
É você quem escolhe sobre o que irá escrever? Como o faz?
Hoje em dia, quase sempre, tirando um ou outro caso. Por exemplo, se vem o U2 na cidade, não tenho como escolher. Vou ter que ir para o Morumbi, ficar em porta de hotel, fazer plantão e tal. Por quê? É a maior banda do planeta, que tem a turnê mais lucrativa da história. Tem fatos que são muito maiores do que a minha vontade no momento.
É muito legal para um jornalista, que está iniciando a carreira, saber o seguinte: você só não engole sapo quando você tem suas próprias pautas. Não pode deixar que a “agenda” te engula. Você tem que chegar antes dela e fazer com que ela fique em segundo plano, entendeu?
São Paulo hoje é a maior metrópole da América Latina, de cultura. Para dar conta disso, é preciso ter profissionais muito bem preparados. Se você não se cuida, vive refém disso, o que é ruim porque o jornal legal mesmo é aquele que pára e pensa o que está acontecendo. Como no caso do manguebeat, um movimento interessante. É preciso identificar essas coisas antes que tenhamos que ler na “Uncut” ou na “Rolling Stone” americana. É melhor você descobrir por si mesmo e impor essa pauta, deixando de lado o fulaninho do StudioSP, que está lá toda semana
Você tem algum tipo de relação com músicos?
Não. Tenho um ou dois amigos músicos. Aliás, tenho poucos amigos. Mas freqüentar casa de músico não faz a minha cabeça. Eu vejo isso de uma maneira meio complicada. Sei que vários colegas fazem isso com bastante tranqüilidade, sem problema nenhum. No meu caso, eu prefiro evitar. Não gosto de ser amigo de ninguém porque sei que vou ser interpelado por qualquer coisa que eu falar. Então, é melhor que eu seja interpelado como um estranho.
Algum músico já te ligou reclamando de uma crítica que você escreveu?
Vários. Em alguns casos foram brigas mais sérias, como com o Caetano Veloso. Eu falei que o show com o Roberto Carlos era “naftalínico”, tinha cheiro de naftalina. Ele ficou furioso e me atacou no seu blog durante uma semana. Eu acabei respondendo no meu próprio blog também.
O próprio André Abujamra, na época do segundo disco do Karnak, sobre o qual escrevi que era ruim, não gostou. Nós tínhamos uma boa relação desde a época da banda Os Mulheres Negras, nos anos 1980. Então, ele deu uma entrevista furiosa dizendo que eu era um bosta e que tinha até feito uma música pra mim, pra me sacanear. Nunca ouvi a música. Deve ser boa porque sempre que você faz alguma coisa com raiva sai legal [risos].
Depois que a Bizz parou de circular, não temos nenhuma revista de música. Você sente falta desse tipo de publicação?
De fato. É difícil porque não tem quem banque. Antes, das gravadoras bancavam as revistas. Você vê que tem uma face que não é tão boa no desaparecimento das gravadoras. Elas tinham grana, bancavam, mas aí exigiam certas coisas, não é? Revista é complicado. Qualquer um pode pegar o conteúdo e, em dois minutos, colocar na internet. Por que o cara vai comprar a revista? Esse é o problema. Por que vou investir numa revista cujo lucro é pequeno? É que nem música. Por que o cara vai investir num disco se ele não pode vendê-lo?
[atualização] Confira matéria sobre críticos musicais na Revista Cásper #5 aqui.
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segunda-feira, 29 de novembro de 2010
Jazzin'
terça-feira, 13 de julho de 2010
Duofel conta tudo sobre DVD que irá gravar no Cavern Club
O Duofel é um duo de sonhadores. Quando empunham seus violões, conseguem transportar toda a plateia para um mundo de sonhos musicais. Conseguem fazer com que os espectadores chorem, riem, prestem atenção. Ninguém sai durante o show. As pessoas ficam mudas e depois batem palmas com prazer. “Demos certo porque somos um casamento sem sexo”, brinca Luiz Bueno, paulistano, 58 anos, o porta-voz do duo. Enquanto seu companheiro afina a viola caipira, para o próximo número, ele conversa com a plateia. “Essa próxima música faz parte da nossa infância”, anuncia, antes de tocar Here Comes The Sun, dos Beatles. Ao seu lado, Fernando Melo, alagoano, 54 anos, sorri calado o tempo todo enquanto os refletores fazem seu rosto brilhar. Ambos vestem roupas pretas idênticas, coladas ao corpo, com gola alta. Os trajes são iguais até nos óculos de armação preta grossa. Mas a musicalidade de cada um é única e a união das duas partes forma o Duofel.A união aconteceu no fim dos anos 1970, quando eles se encontraram em uma banda de rock progressivo instrumental, a Boissucanga, que acabou por problemas financeiros. O equipamento era escasso, felizmente. “Resolvemos fazer uma coisa louca. Realmente não tínhamos a mínima noção quando decidimos fazer um som só de violões”, confessa Luiz. O som de violão do duo não é apenas um som. É uma composição. Ou várias. Sua música conta uma história, não é simplesmente improvisação. Fernando explica que “a música da improvisação é diferente. É para iniciados”. O som do Duofel é indescritível, tanto que não entra em nenhuma categoria. Luiz conta que “no disco americano, vem até escrito que é para o cara consultar o vendedor”. Eles classificam sua música como instrumental brasileira e afirmam que foi sendo construída com o tempo. O ponto de partida foi uma viagem pelo nordeste brasileiro, que durou um ano inteiro e contribuiu significativamente para a formação musical dos dois. “Isso nos fez cair na real, de que tínhamos – e temos – muito que aprender. No início, eu tocava violão de palheta, consegue imaginar?”, revela Luiz, mostrando as unhas grandes.
A essa altura, ambos já haviam largado seus empregos e viviam exclusivamente de música, como fazem até hoje. Mais do que isso, eles vivem a música. Diariamente, às 8h, comparecem à rua Dr. Cândido Espinheira, número 620, no bairro Perdizes, em São Paulo. A entrada do lugar é modesta: apenas uma porta no fundo de um corredor de cerca de cinco metros, ao lado de um restaurante. Ao penetrá-la, toda uma estrutura é revelada: três salas compõem o “complexo Duofel”, onde eles criam todos os projetos, resolvem as burocracias e ensaiam todos os dias. “É um grande barato sentar aqui e tocar todo dia”, afirma Luiz ao mostrar o estúdio próprio onde compõem e fazem gravações. “No momento estamos gravando diariamente nossos ensaios para dois shows que iremos fazer no Cavern Club, em Liverpool (Inglaterra), que será gravado e irá virar DVD”, revela animado.
A gravação do DVD será o desfecho do atual momento do duo, que lançou há seis meses o disco Duofel Plays The Beatles, só com regravações de músicas dos FabFour. Após longos 32 anos de ralação, é hora de curtir. Nos dias 19 e 20 de julho, o duo subirá no palco do Cavern Club e registrará o momento, parte do já citado DVD, que será um documentário. “Vai ser um grande barato para nós, fãs de Beatles, que vamos passar por todos os lugares marcantes na história da banda”, conta Luiz. “Esse era mais um dos nossos sonhos e vamos lá curti-lo, mostrar para todo mundo que esse é o grande barato da vida. E também que o sonho nunca acabará”, acredita.Antes de tudo isso ser possível, o Duofel enfrentou o descaso de muita gente, cenário mudado com a ajuda do “bruxo” multiinstrumentista Hermeto Pascoal, em 1993. “Ele foi a nossa grande universidade, nos deu o diploma de que precisávamos”, afirma Fernando. Após o contato com Hermeto, que os chamou para abrir uma série de shows, a carreira deslanchou de fato. Outros músicos passaram a olhá-los. Antes disso, o ápice havia sido com a versão de “Escrito nas Estrelas”, cantada por Tetê Espíndola, que ganhou o Festival dos Festivais, em 1985, na TV Globo.
Após muitos anos vivendo de música, afirmam que estão com a cabeça cheia dela. “Sexta-feira passada saímos daqui às 20h e um amigo me mandou uma mensagem
nos convidando para ir ver o show da banda do Fierro, no Ibirapuera”, conta Luiz, que continua: “Já tínhamos ensaiado o dia inteiro. Não podia mais ouvir som no dia”. Apesar do aparente cansaço, levam o trabalho muito a sério. Eles acreditam que a música em si é algo muito sério. “Ela pode te derrubar. Não é uma roupa que você troca dia após dia. É um traje que dura a vida inteira”, acredita Fernando.
Viver de arte e sonhar são as grandes motivações desses dois respeitados músicos que conquistaram tudo que sonharam em ter. São dois amantes da arte que querem, acima de tudo, “compartilhar o dom que nos foi dado”. É evidente o prazer que sentem ao fazê-lo. Acreditam que isso é o lado bom da vida. Para Luiz, “se você batalha por ele e o compartilha, tudo acontece”.
Em entrevista exclusiva, o Duofel conta tudo sobre os preparativos para a gravação do DVD no Cavern Club, explica como foi a seleção das músicas para o Plays The Beatles e avalia a recepção dos fãs dos cabeludos de Liverpool. Também aproveitam para reclamar dos discos remasterizados. Além disso, eles revelam o que vem em seguida na carreira e falam sobre a experiência com Hermeto Pascoal.
Como foi a escolha das músicas para o disco Duofel Plays The Beatles? O que levaram em conta?
LUIZ: Na verdade, começamos este projeto sem a intenção de que ele virasse um disco. Não houve um trabalho de pesquisa, nem nada do tipo porque já tocávamos algumas coisas de Beatles em dias de curtição. Diferentemente da grande maioria dos instrumentistas, não só no Brasil como no mundo, não começamos dentro do jazz. Começamos no pop, ouvindo Beatles. As músicas foram surgindo nos ensaios, onde experimentamos afinações e não há nada dirigido.
Às vezes, quando o Fernando faz determinado acorde, aquilo me lembra de alguma música. E tocamos. Depois começamos a tocar esse repertório no Ao Vivo Music [casa de shows] como curtição. Inclusive, houve músicas que surgiram lá no camarim enquanto esperávamos a hora de tocar. Instantes depois, tocamos no próprio show. Foi tudo surgindo de uma maneira muito despojada, muito diferente do que sempre fizemos.FERNANDO: É mais por lembrança. Umas deram certo e outras não porque tem o lance do duo de violões e a música precisa ter algum fundamento pra esses violões. Tem que contar uma história através dos nossos instrumentos. Às vezes pensamos que determinada música poderia ficar legal porque ela é ótima, mas pode não funcionar porque o que transmitimos através de nossos violões pode não levar a nada. Depois que resolvemos fazer o disco é que fomos trabalhar nessas canções que já tocávamos. Por incrível que pareça, apesar de não ter tido nenhuma preocupação em datar as músicas de acordo com as fases dos Beatles, no final do processo havíamos passado por todas elas.
Então a escolha foi pela sonoridade. Entrou no disco o que soava melhor, os melhores arranjos, o que combinava com o som de vocês. Não foi por preferência, gosto ou identificação.
LUIZ: Isso aí. Inclusive, tem músicas que cada um particularmente prefere e não estão nem no disco porque não deram arranjo. A música pode ser legal, aquela que todo mundo gosta, a mais tocada, cantada, mas pode não fazer sentido para nós, como linguagem. Isso vale para qualquer tipo de arranjo, para qualquer música. Tem que dar pé para a nossa linguagem. E neste disco tem a música deles, mas, mais do que a música deles, tem muito da nossa. Tem mais do que a música deles. Nós impregnamos a música deles com a nossa digital.
Em que momento vocês decidiram gravar esse disco?
LUIZ: São 32 anos de Duofel. A gente só sobrevive porque tem um grupo legal de fãs. Há uns 2 anos, fomos ver o que eles gostariam de ganhar de presente pelo aniversário de três décadas de carreira. E a maioria queria um disco de Beatles. Nós vimos que, através da música deles, poderíamos juntar outro tipo de público. Aí passamos a investir no disco.
Não estávamos errados. Estávamos muito certos. O disco está vendendo, já está na 4ª edição. É muito? Não significa muito em termos do grande mercado, mas da música instrumental significa. Inclusive já passamos as vendagens do Precioso, um disco nosso de 5 anos atrás que foi muito bem vendido. Em 6 meses, vendemos mais discos [Plays The Beatles] do que em 5 anos [Precioso]. Então decidimos juntar esse repertório que já tocávamos e ir tocá-lo em um barzinho, coisa que não fazíamos há muitos anos. Fomos como curtição mesmo. Nos demos ao prazer. Quando você começa a carreira, não se preocupa com nada, você faz isso. Depois há uma série de pensamentos que você deve ter – políticos, artísticos, sociais – e certas coisas, que antes faziam parte do seu dia a dia, começam a ser eliminadas. Pra você tocar em um bar, tem que se pensar muito. Pô, vamos tocar em um bar, cara? Bar não paga cachê. O lugar que paga cachê está vendo que estamos tocando em um bar. É uma relação esquisita. Isso pra nós que não tocamos em bar há muito tempo. O mais importante, nessa história toda, foi a oportunidade que vimos de mostrar a nossa música para um novo público.
Vocês vão tocar o disco no Cavern Club e gravar um DVD desse show. Como surgiu essa oportunidade?
LUIZ: Nós queremos fazer um DVD disso, fechar o ciclo e partir pra outra. Quem sugeriu primeiro para nós foi o pessoal do fã-clube “Revolution” que foi assistir a um show. Na ocasião, conversamos com eles: “estamos pensando em fazer um DVD, mas não sabemos como”. E um deles sugeriu: “por que vocês não fazem no Cavern?” Achamos uma boa ideia e começamos a pensar sobre isso. Cara, é algo muito difícil porque os DVDs de shows são aqueles em que as gravadoras investem milhões de dólares. Foi criado um padrão difícil de alcançar. Já havíamos feito outro DVD, de uma maneira bem tosca. Todo mundo curtiu, mas todo mundo fez a crítica de que poderia ser melhor, que poderia ter havido mais atenção nisso e naquilo. As coisas pra gente são muito difíceis. São bem batalhadas. E nesse caso do Plays The Beatles, tínhamos que descobrir um DVD que não fosse simplesmente o show. Então nós partiremos para fazer um documentário e, para ser sincero, é uma grande viagem nossa. Isso é o que a gente se dá ao prazer na vida.
Vamos curtir a viagem, conhecer a terra dos caras, onde eles nasceram. Vamos curtir a vida, entende? É bem isso. E vamos levar um grande grupo conosco.Como fica essa questão financeira?
LUIZ: Isso é um papo de maluco porque estamos sem um tostão e o projeto é caríssimo. Mesmo assim vamos fazer. Já pedimos empréstimo no banco, como toda boa empresa. E agora é mandar bala, fazer o DVD, que vai custar caro, mas tem um dado muito positivo: ele tem uma energia muito legal, que pode ser percebida antes mesmo de ser feito.
O DVD, então, vai ser um documentário dessa viagem, desse grupo visitando determinados pontos que foram marcantes, que tenham a ver com a música dos Beatles?
LUIZ: Sim, nós vamos fazer isso. Vamos lá tocar nessa porra desse Cavern, que é um grande barato. É nosso sonho de moleque. Há toda uma expectativa. Nós vamos fazer um documentário sobre a história do sonho. Hoje, que temos 32 anos de carreira, sabemos que o bom da vida é compartilhar seu dom, seu talento. Se você batalha por ele e o compartilha, tudo acontece. Se todos se ocupassem com seus talentos naturais, todo mundo ia ser feliz. Pelo menos estaríamos mais próximos de sermos uma sociedade vibrante de maneira positiva. Nós largamos mão de coisas. O Fernando veio de Alagoas, de uma família de políticos, uma família boa, em que todos vivem muito bem. Ele poderia ter ficado em casa, mas largou a família e veio para São Paulo atrás do seu sonho. Eu também. Tenho minha formação de arquiteto. Ganhava dinheiro na prefeitura. Todos meus colegas de sala hoje têm casa no Jardim Europa e vivem de renda, mas eu não. Larguei isso em busca de um sonho, que é nada mais, nada menos, ir de encontro ao meu dom.
Esse movimento que você faz em busca do seu dom é impressionante. Nós vamos lá curtir mais um sonho pra provar pra todo mundo que esse é o grande barato e que o sonho nunca acabará. Vai ter também depoimentos de gente aqui do Brasil e de fora.
Como foi para conseguir o espaço para tocar lá no Cavern?
LUIZ: Tudo é muito fácil quando você tem 32 anos de carreira, já lançou CDs e ganhou prêmios. As coisas são assim. Já tocamos nos melhores lugares do mundo, nos maiores palcos. Temos um nome super respeitado no Brasil e fora daqui. Em cima disso, é fácil conseguir as coisas. Colocamos essa nossa estrutura aqui [refere-se ao escritório e à produtora] para funcionar. Vamos tocar nos dias 19 e 20 de julho.
Como tem sido a recepção dos fãs de Beatles?
LUIZ: Os fãs mais fanáticos têm vindo falar pra gente que gostaram muito, que é uma pena dois deles [dos Beatles] já terem morrido porque não irão nos ouvir. Isso vindo de uma pessoa que gosta de música é OK, mas vindo de um cara que é fanático por Beatles é muito do cacete! Quem gosta de Beatles gosta dos caras tocando, não gosta dos outros (risos). Tem cara que, no nosso show, espera todo mundo ir embora pra ir falar pra gente o seguinte: “Tô aqui pra te dizer que não ouvi nenhuma versão de Beatles que valesse a pena. NENHUMA.” Aí você pensa que o cara vai te dar um soco em seguida, mas ele fala: “Mas a de vocês é DEMAIS! Achei muito louco porque ninguém canta e tem tudo da música deles. Vocês não perderam o lance das músicas dos caras”.
Vocês acham que isso de “não perder o lance” se deve a que?
LUIZ: Isso é interessante porque se você pega uma música deles e compara com a nossa versão, dá pra ver que é muito diferente. Acho que isso é porque a gente não parou pra estudar as músicas. Elas vêm muito de dentro, das lembranças, como o Fernando falou. Para nós, Beatles é uma sonoridade. O grande barato é a sonoridade que eles conseguiram, que era muito única. Isso mexeu com a gente ainda garotos. Eu não gosto dos discos remasterizados. Quando eu ouço, vejo que tiraram um lance em algum lugar ali, que pode ser uma guitarra que faz um couomcoum [imita o som]. Sumiu dali! O cara tirou isso e isso é que dá o lance! Eles tinham essa questão da sonoridade e a cada álbum era uma nova sonoridade, o que é muito incrível.
FERNANDO: As limitações da época e o próprio momento contribuíram pra isso. Tinha muita coisa aflorando, muita coisa boa acontecendo. O declínio do grande mercado começou depois dos anos 70, quando as pessoas começam a só pensar em fazer dinheiro, não arte. Nesse momento surgem as grandes gravadoras. E taí o resultado: todos quebrados, pois isso não permanece! O que permanece é aquilo que você tem de verdadeiro. Principalmente na década de 80, a juventude toda queria fazer sucesso logo de cara, no primeiro disco. Que nem no Big Brother. Eles querem entrar lá e ganhar muito dinheiro, não querem construir uma carreira. Tanto que muitos pararam no primeiro, no segundo disco e ninguém nunca mais ouviu falar. Falta criar uma estrutura. O Duofel, antes de ser Duofel, ficou viajando um ano pelo Brasil à procura de uma essência, se fortalecendo para aí termos história pra contar. A música é tudo e você vai montando ela, sem pressa alguma. Por outro lado, como fazemos música instrumental e não há aquela obrigatoriedade, de repente dos cantores, de fazer um disco por ano porque precisa tocar no rádio, na novela. Isso nos fortalece porque ficamos livres pra fazer a música que sai de dentro de nós. Não aquilo que está na moda, aquilo que se você não fizer, estará por fora. Quando começamos, os caras que faziam música instrumental falavam que não ia dar certo porque todo mundo fazia outro tipo de música, o qual nós não estávamos fazendo. Vimos que a coisa mudou, não é? Taí a gente sobrevivendo: são 32 anos de carreira, vários CDs gravados, prêmios. E os caras que disseram aquilo não deram certo (risos). Inclusive fizemos um disco e convidamos vários deles para participar. A música é assim. Tem que sempre levar a sério porque ela é muito séria, pode derrubar você. Não é uma roupa que você troca dia após dia. É um traje que dura a vida inteira.
Quanto à recepção do público brasileiro, em geral, como tem sido? E em relação ao público do exterior como é?
LUIZ: O brasileiro é tão igual, tão bom quanto. O que eu posso dizer com bastante segurança é que o brasileiro, quanto mais simples, mais musical ele é, mais respeito ele tem pela música.
FERNANDO: Não existe aquela coisa de que o europeu percebe essa musica melhor, que tem a cabeça mais aberta pra esse tipo de coisa. Não é assim. Isso é uma ilusão. Músicos que vão lá pra fora porque “lá vão me entender”, vão pra lá dançar. Não tem mercado. O mercado brasileiro se abre muito mais pra música estrangeira do que o mercado estrangeiro se abre pra música brasileira.
LUIZ: E um lance interessante é que a nossa música, como falamos, conta uma história. Não é uma música de improvisação.
FERNANDO: A música de improviso é diferente. É para iniciados, digamos assim.
LUIZ: Tá valendo, mas a nossa música tem outro lado, tem uma história. A gente conduz o show, em qualquer lugar do mundo. Sempre colocamos o espectador de uma maneira que gostaríamos que ele recebesse as nossas músicas. Então a gente conta as histórias das músicas.
Nosso show tem uma coisa que aprendemos há alguns anos com o pessoal do teatro, que é a curva dramática. Ele tem uma curva que a gente decide antes do show: o que queremos para esse show? Não é só tocar. E agora tem o lance de viajar para a infância. Coisas assim que colocamos no show. Nós tocamos várias vezes em lugares nos quais as pessoas não têm nem o que vestir: sertão do nordeste, por exemplo. E, cara, é um negócio muito louco. É realmente difícil entender, só estando lá para ver. Ninguém sai durante o show. As pessoas ficam mudas. Você escuta as moscas voando de tanto silêncio que as pessoas fazem. E falo isso quando tocamos ao vivo, em praça pública. É um absurdo. Ninguém vai embora! Não tem dinheiro nem pra comer e vem com dez reais querendo comprar o nosso disco! Acho isso o máximo. Mostra que quando a música é verdadeira, quando qualquer arte é verdadeira, tem sempre alguém esperando por ela, não tenha dúvida. E se a arte tem mais elementos que transitam com aquele lugar onde você tá (no nosso caso, o Brasil), ela tem uma aceitação muito fácil. É surpreendente.
No caso dos Beatles, estamos utilizando a música deles para chegar às pessoas. Mas isso não quer dizer que você vai segurar uma platéia. Nós levamos o público, dentro desse show, para um passeio, como costumamos dizer. Vão passear com a gente, cara. Enquanto tiver na turnê, não pode sair (risos). E as pessoas vão, elas se deixam levar pela música. Tem alguma coisa lá que está segurando.
Fomos fazer o Festival de Montreau e lá ninguém presta atenção em show nenhum, cara. No show que aconteceu no SESC de São José dos Campos, havia uma senhora na primeira fila fazendo tricô. Eu achei um barato. De vez em quando ela parava de tricotar pra prestar atenção na música. Fiquei prestando muita atenção nela pra ver quando que ela ia parar o tricô. E de repente ela pára o tricô. Aí acontece algo e ela volta ao seu tricô. E aí você vai pra Montreau e imagina a platéia de 3 mil pessoas, que deve fazer mais barulho do que se fosse na praça da Sé. Não! Ninguém pára. Todo mundo fica entrando e saindo. É curtição de lugar de badalação. Não é pra curtir som. É um paradoxo fodido.
É a Meca do jazz e para nós foi uma experiência horrorosa. Aí você pensa: “No templo da música, toca-se a pior música”. E lá está a pior platéia do mundo – ela não vai lá pra curtir som. Então é um grande engodo. É aí que você tem que prestar atenção e se perguntar o que está acontecendo. Ir pra Montreau é isso, cara?
No momento, vocês estão focados no DVD. Como estão sendo os preparativos?
LUIZ: Como iremos gravar o show, estamos simulando essa gravação diariamente aqui no nosso estúdio, com o nosso técnico. Estamos pegando todo o nosso equipamento e colocando ele de uma certa maneira, otimizando para gravar e estudando como iremos fazer. Fazer isso aqui no Brasil, com uma equipe brasileira, é uma coisa. Fazer no exterior, é outra coisa. Então estamos nos preparando para isso: para chegar lá e já estar tudo pressetado. Quando chegar lá, não vamos passar o som, testar as coisas. Vamos orientar a equipe de lá para fazer isso, isso e aquilo. Isso facilita muito porque no Cavern Club acontece um show atrás do outro, o dia inteiro, todos os dias. Então nós vamos tocar às 13h, quando o bar abre, porque aí temos a manhã inteira pra arranjar esse palco pra deixar prontinho para gravar. Ensaiar todo dia é um grande barato porque estamos visualizando o show para que, quando acontecer, possamos deitar e rolar. Pra isso, tem que haver preparação, senão vamos dançar e rolar, entende?
Não acaba enjoando?
LUIZ: A gente está fazendo um negócio que é muito prazeroso! Estamos concentrados nisso porque gostamos disso. Temos um puta prazer em sentar ali todo dia e apurar cada música, além do som de todo o equipamento. Quando o cara lá falar “Gravando!”, vamos ter a certeza de que estamos lá com o sinal certinho. Já fizemos várias gravações ao vivo aqui no Brasil e dançamos bonito. Chega na hora da mixagem e o cara fala: “Porra, a linha tal está estourando!”.
FERNANDO: Ou é o microfone que não funciona. Aí o cara: “Não tinha como parar a gravação, por isso não falei antes”.
LUIZ: Então são essas coisas que estamos tentando com o nosso conhecimento, com a experiência – que é a parte boa de ser mais velho. Estamos gravando todos os dias o show inteiro! Vamos chegar lá tinindo e isso é um grande barato.
FERNANDO: É como se fosse uma partida de futebol. Uma única partida, em que temos que fazer todos os gols. Não pode ter bola na trave. E tem que estar bem. Nem todo dia você acorda do mesmo jeito. Sua risada muda, às vezes nem ri. Chora. No dia, você tem que estar bem, cara. Tem que estar tocando bem. Então vamos pra lá para fazer o melhor disco possível. Por isso essa preocupação, tantos ensaios.
Esse DVD, como vocês disseram, fecha um ciclo. O que vem depois disso?
LUIZ: O que vem em seguida é a Ópera Instrumental – Crianças do Brasil, com orquestra sinfônica. Já temos também um disco pronto para o ano que vem, ou para o outro. Queremos juntar um povo aí com esse lance dos Beatles e depois levá-los para ver a nossa ópera, que fala sobre as crianças do Brasil, crianças de rua, dos anos 90, que hoje são os nossos bandidos aí tomando conta de tudo que é nosso. Esse trabalho já está todo pronto, arranjado e já foi aprovado via Lei Rouanet. Essas coisas levam bastante tempo para se realizarem, por isso começamos um tempo antes, como estamos fazendo com esse disco. Até arrumar alguém que banque é um caminho árduo. Então, por enquanto é isso que está rolando. E já é coisa pra caramba. É todo dia estamos ensaiando e está melhor a cada dia! Ainda falta um mês para gravar, mas se fosse amanhã já estaríamos prontos para entrar e gravar.
Para finalizar, voltando um pouco na história de vocês, como foi a experiência com o Hermeto Pascoal?
LUIZ: Costumamos dizer que o Hermeto foi a universidade que freqüentamos. Ele vem num momento bastante interessante da nossa carreira. Primeiro porque, como o Fernando acabou de dizer, nós fazíamos uma música muito própria. E por mais difícil e distante que possa parecer, os músicos não tem aquela cabeça tão aberta como se presume. Tem uma guerra de egos muito grande dentro desse ambiente, principalmente dos músicos como nós que vivem do espetáculo.
Então, o Hermeto surgiu em 1993. Conhecemo-lo desde o começo da carreira, mas em 1993 é que ele aparece para nos ajudar bastante. Dizemos que foi o momento em que entramos para a universidade porque ele deu o diploma que precisávamos. Ele foi o nosso TCC [Trabalho de Conclusão de Curso]. Ele faz parte da banca e quando assina “Ó, esses caras passaram com louvor” todo mundo passou a aceitar a nossa música, que não tem improvisação.
A gente não vai pro palco pra desenvolver tema e improvisar. Temos uma ideia mais fechada de música. Dá pra improvisar? Até dá, mas em geral, se um cara quiser tocar com a gente, vai ter que vir aqui ensaiar conosco uns 10 dias senão ele não vai conseguir. Primeiro porque nós, em dois, temos que fazer várias partes: percussiva, rítmica, de harmonia, de melodia e, além de tudo, a gente interage. A diferença entre um duo e uma dupla é exatamente essa. A dupla: um acompanha e o outro sola. Em um duo, há uma interação. A gente vai trocando diferentes papeis. Depois de muitos anos, você vai desenvolvendo uma maneira muito própria de fazer isso. E quando entra outra pessoa para tocar, não há espaço para ela. Se formos chamar um percussionista, quem estiver com a parte mais percussiva terá que deixar de fazer, para que o cara possa aparecer.
Enfim, como fazíamos uma música mais fechada, não tinha como ter interação com outros músicos. E, por outro lado, de alguma maneira, nossa música agradava a platéias. E quando a música agrada a platéia, os outros músicos querem participar dessa música também. Mas como não tinha muita possibilidade, o mais fácil foi começar uma história de os músicos se predisporem em relação a nossa música, entende? Ou seja, o Duofel não está na turma do jazz, não tá na turma da MPB, nem na do pop, nem do rock e muito menos na do erudito. Ficamos sem categoria. Nós estamos fora do nicho de venda. Está dentro da linguagem da música instrumental brasileira. Mesmo assim, as pessoas tinham vontade de catalogar.
Quando o Hermeto aparece, em 93, ele pede pra gente abrir o show dele. E começa a nos chamar pra abrir os shows dele. Nessa convivência, ele falava: “Eu vou ajudar vocês, senão vocês estão lascados porque vocês fazem uma música muito personalizada, muito forte. A música de vocês é única e quando surge uma música assim, alguém tem que ajudar”. Ele tinha razão. Tanto é que, a partir do momento que ele coloca a gente pra tocar nos shows dele, nosso nome começou a se elevar bastante. Todos os outros músicos que condenavam a nossa música pararam pra ouvir. “Pô, que o Hermeto viu ali que eu não vejo?”, pensaram. E aí começam a prestar mais atenção na nossa música.
O fato de que sempre que lançávamos um disco, estávamos concorrendo ou como “melhor música” ou “melhor cd”, também traz na categoria do musical um olhar diferente pra nossa música. Então, aí começamos a perceber isso. Deu uma sobrevida pra nós, realmente. Então foi uma experiência muito legal, muito grande mesmo. Abriu nossas portas lá fora do Brasil.
Estar associado ao nome do Hermeto é um belo de um crachá, entende? Nós fomos apresentados ao Herbie Hancock, na Europa, e o cara já tinha ouvido falar na gente. Fomos apresentados da seguinte maneira: “Tão aqui esses dois caras, são violonistas brasileiros que têm uma música única, igual à sua”. Aí o Herbie: “Ó, que legal”. Quando falam “São amigos do Hermeto”, o cara se espanta “ohhhh”. E muda tudo. Todos os grandes músicos que fomos procurar, ao citarmos o Hermeto, nos abriam as portas. Então o Hermeto abriu essa porta do céu pra nós. E pra gente, que não estudou nada, ele foi a grande universidade; o cara que deu o diploma pra gente seguir na vida.
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
spfilosofa
spfilosofa é um projeto de Filosofia realizado para a Faculdade Cásper Líbero em parceria com Marcus Vinícius Souza, Maria Aparecida Pereira da Silva e Tamara Monzani. A ideia era produzir conteúdo sobre filosofia na cidade de São Paulo e nosso tema foi: "Metafísica e lógica ou como a ideia é real: Hegel entre nós".
Agradecimentos especiais a Iolanda Lourenço, que cuidou da arte da capa, e Eduardo Bajzek, cujas ilustrações caíram muito bem no contexto da revista.
Agradecimentos especiais a Iolanda Lourenço, que cuidou da arte da capa, e Eduardo Bajzek, cujas ilustrações caíram muito bem no contexto da revista.
PROJETO EDITORIAL
Marcus Vinicius Souza
Maria Aparecida Pereira da Silva
Renan Goulart
Tamara Monzani
ARTE/DIAGRAMAÇÃO
Renan Goulart
CAPA
Iolanda Lourenço
ILUSTRAÇÕES
Eduardo Bajzek
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sábado, 7 de novembro de 2009
Guitarras a todo volume
IT MIGHT GET LOUD
Gênero: Documentário musical
Duração: 97 min
Origem: Estados Unidos
Direção: Davis Guggenheim
Ano: 2008
A guitarra, desde sempre, foi um instrumento que me fascinou. Como podem seis cordas presas em um pedaço de madeira produzir sons tão belos ou raivosos? Eu tinha a necessidade de aprender a fazer aquilo que eu via e escutava. Era como se faltasse algo; poderia ser um jeito de me expressar, já que nunca fui tão adepto das palavras faladas.
Descobri um pequeno violão velho num armário em casa e pus-me a produzir sons aleatórios. A primeira coisa que consegui tocar foi o riff de Come As You Are, do Nirvana. Mas era pouco! Eu queria ser capaz de produzir sons tão bonitos quanto os solos do Pink Floyd ou tão raivosos quanto os riffs e solos do Led Zeppelin. Um ano depois, comprei minha primeira guitarra: uma stratocaster prata (que me acompanha até hoje) e tudo foi possível.
A guitarra, desde sempre, foi um instrumento que me fascinou. Como podem seis cordas presas em um pedaço de madeira produzir sons tão belos ou raivosos? Eu tinha a necessidade de aprender a fazer aquilo que eu via e escutava. Era como se faltasse algo; poderia ser um jeito de me expressar, já que nunca fui tão adepto das palavras faladas.
Descobri um pequeno violão velho num armário em casa e pus-me a produzir sons aleatórios. A primeira coisa que consegui tocar foi o riff de Come As You Are, do Nirvana. Mas era pouco! Eu queria ser capaz de produzir sons tão bonitos quanto os solos do Pink Floyd ou tão raivosos quanto os riffs e solos do Led Zeppelin. Um ano depois, comprei minha primeira guitarra: uma stratocaster prata (que me acompanha até hoje) e tudo foi possível.
Esses dias fui assistir A Todo Volume (It Might Get Loud), uma espécie de documentário sobre a paixão pela guitarra. O diretor Davis Guggenheim juntou três ícones de gerações diferentes para se reunir, contar histórias e, claro, tocar guitarra. O resultado foi excelente. Temos um documentário rico para os apaixonados pelo instrumento e pelo trabalho daqueles artistas que marcaram suas épocas. O time é composto por nada menos que Jimmy Page (Led Zeppelin – anos 70), The Edge (U2 – anos 80) e Jack White (White Stripes, Raconteurs – anos 90), que contam como desenvolveram suas técnicas e tocam as músicas uns dos outros, numa descontraída jam. Jimmy Page dispensa comentários e apresentações. É simplesmente um dos guitarristas mais influenciadores das gerações atuais. É incrível como ele podia/pode fazer coisas tão belas como Since I’ve Been Loving You (minha música preferida do Led Zeppelin) e tão nervosas como Dazed And Confused. Ou épicas como Stairway To Heaven. Em It Might Get Loud, lá está Page todo velhão segurando sua Gibson Les Paul como se o tempo não tivesse passado, produzindo sons arrepiantes. Momentos únicos são vistos, como um vídeo de Page quando adolescente, num programa de televisão tocando com sua banda de skiffle. Na conversa com o apresentador, disse que queria ser biólogo (assista ao vídeo na íntegra aqui). Que bom que ele desistiu dessa idéia. Além disso, podemos conferir sua coleção de vinis e os sons que marcaram sua vida, como Rumble, do Link Wray.
Entretanto, um ponto polêmico do documentário é a escolha de The Edge para o elenco. Muitos, como eu, não o consideram do mesmo nível que os demais. Ele pode ter feito coisas legais e novas com seus efeitos e texturas, mas nada grandioso. Acho que quem realmente influenciou e deixou sua marca para as próximas gerações foi todo o U2. Por outro lado, The Edge toca PARA a banda, o que é um grande ponto a seu favor, visto que muitos guitarristas querem apenas é impressionar outros músicos e fãs com seus malabarismos e solos à velocidade da luz. Seu som realmente se encaixa no contexto da banda e isso não o torna um músico ruim, muito pelo contrário. Mas se é um documentário sobre guitarra... má escolha.Jack White é um cara estranho e um excelente músico. Chegou a ser considerado o melhor guitarrista da atualidade e conquistou o 17º lugar na lista dos “100 maiores guitarristas de todos os tempos” da revista Rolling Stone. Ele bebe na fonte do blues dos anos 20 e, sem dúvida, é um cara que sempre tem algum trabalho novo para mostrar. Sua participação no filme me fez querer ir atrás de seus álbuns e conhecer sua música. Apesar de já conhecê-lo como membro do White Stripes e do Raconteurs, nunca ouvi com muita atenção o seu trabalho, o qual estou conhecendo aos poucos. Até agora, deu pra perceber que ele é um cara de grande talento, coisa rara atualmente.
Saí do cinema com vontade de pegar minha guitarra, plugar no amplificador, regular uns efeitos e produzir sons malucos. Sempre acontece quando vejo filmes assim ou alguma banda tocando. Ver aqueles caras e ouvir suas histórias me fez querer entrar nas profundezas dos assuntos guitarrísticos e estudar cada vez mais, além de me dedicar mais à composição. It Might Get Loud é um filme imperdível, altamente recomendável para todos – não só para os que curtem o bom rock ‘n roll, mas para todos os apaixonados por música. E, claro, pela guitarra.
TRAILER
Saí do cinema com vontade de pegar minha guitarra, plugar no amplificador, regular uns efeitos e produzir sons malucos. Sempre acontece quando vejo filmes assim ou alguma banda tocando. Ver aqueles caras e ouvir suas histórias me fez querer entrar nas profundezas dos assuntos guitarrísticos e estudar cada vez mais, além de me dedicar mais à composição. It Might Get Loud é um filme imperdível, altamente recomendável para todos – não só para os que curtem o bom rock ‘n roll, mas para todos os apaixonados por música. E, claro, pela guitarra.
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terça-feira, 6 de outubro de 2009
Sexo, Alface e Rock 'n Roll
Trabalho de Antropologia sobre o tema "Tribos Urbanas" realizado em parceria de Marcus Vinícius Souza e Fernando Menezes. Dentre inúmeras opções, escolhemos os Straight-Edge, punks vegetarianos "caretões", como eles mesmos dizem. Faça o download do estudo em PDF (571kb)
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antropologia,
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