Trabalho de Antropologia sobre o tema "Tribos Urbanas" realizado em parceria de Marcus Vinícius Souza e Fernando Menezes. Dentre inúmeras opções, escolhemos os Straight-Edge, punks vegetarianos "caretões", como eles mesmos dizem. Faça o download do estudo em PDF (571kb)
terça-feira, 6 de outubro de 2009
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
As aparências enganam...
CRÔNICA (Sou péssimo pra dar títulos. Mais um clichê pra coleção)
Ofélia andava solitária de tudo. Trabalhava como secretária em uma pequena empresa, emprego que odiava; não tinha namorado, mas tinha uns poucos amigos que quase nunca via. E também se achava horrível, apesar de não ser tão feia quanto pensava.
Todos os dias ela se olhava no espelho e desejava morrer. Ou então ganhar uma daquelas transformações do programa da Xuxa em que uma mulher feia se tornava “aceitável”. Ou, quem sabe, ter a grande sorte que faltava na vida e ser sorteada para o Dia de Princesa... mas ela era muito “rica” pro quadro do programa do mano Netinho. Na verdade, ela queria mesmo era um namorado. Quando achava um possível parceiro, não investia. Tinha medo da rejeição. Mas o parceiro perfeito (bonito, alto, forte, inteligente e independente) nunca aparecia.
Ela costumava entrar no trabalho diariamente às 8h30 e, neste dia em especial, estava atrasada. Levantou às 8h, tomou um banho rápido e colocou a roupa de sempre. Acabou com o resto de suco de laranja que havia na geladeira, pegou a bolsa e a chave do carro e saiu com toda pressa. Não iria chegar a tempo e uns poucos e preciosos reais seriam descontados do salário no fim do mês. O chefe era um chato de galocha.
Ofélia entrou no seu Voyage 89, deu ré e partiu em toda velocidade. Não teve tempo de se arrumar direito, nem de ler as manchetes do jornal do dia, tomando seu café da manhã, como fazia diariamente. Nem mesmo passou a maquiagem do dia a dia.
O trânsito fluía bem naquela manhã, por sorte. Ela parou num semáforo e pegou o batom: ia aproveitar aquele tempinho para terminar de se arrumar. Olhou no espelho retrovisor para passar o dito cujo, da cor vermelha, e viu algo que lhe chamou a atenção: um homem moreno e forte, quase bombado, esperava o semáforo abrir no seu Fusca bege, logo atrás dela.
Ela terminou de passar o batom, o sinal ficou verde e, numa tentativa desesperada, deixou o Fusca passar à sua frente. Ofélia queria que ele a notasse. O cara a ultrapassou sem sequer olhar pro lado. Ela observou o Fusca passando e outra coisa lhe chamou a atenção: estava escrito, em letras garrafais, “PAULÃO” no vidro traseiro do carro. Embaixo, havia um número de telefone. Ela se sentiu tentada a pegar uma caneta na bolsa e anotar aquele número, mas o homem, cujo nome deveria ser Paulão, virou à direita e se distanciou bem antes de Ofélia abrir o porta-luvas à procura de papel e caneta. Um sentimento de tristeza e arrependimento tomou conta dela nesse dia. “Aquele podia ser o homem perfeito que tanto procuro. Não acredito que perdi essa chance”, ficou pensando.
Uma semana depois, lá estava Ofélia atrasada de novo. Ia chegando ao mesmo semáforo onde encontrara Paulão dias antes, quando ela o avistou. Estava lá, na sua frente: um Fusca bege com o escrito “PAULÃO”. Ela não acreditava: que sorte! Não poderia perder essa oportunidade. Não iria anotar número algum, ia falar logo com o homem. Deu uma buzinada, o que despertou Paulão do devaneio, e parou ao lado. Abriu a janela e gritou:
- Oi! O que você faz? Seu telefone é esse aí?
Paulão olhou para o lado, deu um sorriso, jogou um beijo para Ofélia e disse numa voz afeminada:
- Serviços gerais! Vou passar na sua frente e você anota o número, tá bom, querida?
O semáforo abriu e Paulão passou na frente do Voyage de Ofélia, que não anotou coisa alguma. Que azar.
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